Tornar mais rígidas as punições é visto como o meio mais eficaz de combater a violência contra mulheres para mais da metade dos entrevistados na recente pesquisa 'Viver nas Cidades: Mulheres'. Será mesmo que essa é a única solução ou precisamos de estratégias mais amplas? Este levantamento, realizado pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, investigou as opiniões de 3,5 mil pessoas em diversas capitais brasileiras, trazendo à tona um debate necessário sobre justiça e proteção. Veja o que revela essa pesquisa.
Para 55% dos entrevistados, o aumento das penas para agressores deve ser a prioridade, seguido pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas, que foi citado por 48%. A agilidade na investigação das denúncias também surge como uma proposta relevante, mencionada por 37% das pessoas ouvidas. Mas será que essa abordagem é suficiente para promover mudanças reais? Patrícia Pavanelli, que dirigiu o estudo, defende uma combinação de medidas punitivas e uma rede de apoio mais ampla para as vítimas.
Como aumentar a segurança e a justiça para as mulheres?
A relevante análise da promotora Fabíola Sucasas discorda de um enfoque punitivista exclusivo. Ela destaca que, mesmo com penas já altíssimas como em casos de feminicídio, o problema persiste. "Essa ideia de que o direito penal vai dar conta de tudo é uma visão patriarcal", afirma. Esse ponto de vista nos leva a questionar se apenas a severidade das penas consegue dissuadir comportamentos violentos.
A promotora ainda ressalta que, apesar das penas elevadas, o feminicídio continua em alta, bem como a violação de medidas protetivas. Portanto, o que realmente faz a diferença na luta contra a violência de gênero?
O papel fundamental das políticas públicas
Naiza Bezerra, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, sugere uma revisão das políticas e intervenções públicas baseadas na nova pesquisa. "Muitas mulheres se sentem inseguras em suas próprias casas e mais ainda em espaços públicos", explica Naiza.
"Muitas mulheres não estão seguras no lar e enfrentam uma insegurança ainda maior ao adentrar espaços públicos."
Entender as nuances de segurança para mulheres demanda novas estratégias além das leis penais, como na integração de políticas em diversas frentes da sociedade.
Divisão das tarefas domésticas: uma questão de igualdade?
A pesquisa também investiga as percepções sobre a divisão de tarefas do lar. Descobre-se que, para 39% dos entrevistados, as mulheres ainda carregam a maior parte das responsabilidades domésticas. Já 37% acreditam que as tarefas são igualmente divididas. Mas será que essa divisão realmente reflete o dia a dia das famílias?
Analisando por gênero, há uma disparidade significativa: enquanto 47% dos homens acreditam na divisão igualitária, só 28% das mulheres concordam. Por outro lado, um percentual expressivo de 44% das mulheres afirma que a carga maior recai sobre elas, em comparação a 32% dos homens que reconhecem essa realidade. Esses números sugerem que, mesmo em casa, ainda há desafios de igualdade a serem superados.
Esses insights da pesquisa 'Viver nas Cidades: Mulheres' nos convidam a refletir sobre o papel dos indivíduos e da sociedade em promover mudanças significativas no combate à violência e na busca por uma convivência mais justa e igualitária.
Com informações da Agência Brasil