Você consegue imaginar o drama vivido por milhares de pessoas em Maceió devido ao afundamento do solo provocado pela extração de sal-gema? Essa tragédia, que obrigou cerca de 60 mil pessoas a deixarem seus lares em bairros tradicionalmente considerados o berço da cultura e história local, ainda está muito presente na vida de quem por lá viveu.
Esta semana, veio à tona o documentário Além do Afundamento – A Memória Persiste, lançado pelo Ministério Público Federal. O filme explora a luta incansável dos moradores e a atuação dos especialistas na salvaguarda dos direitos das comunidades afetadas.
Como o Coco de Roda Reviver tem enfrentado essa mudança?
O documentário relata a história do grupo cultural Coco de Roda Reviver, que costumava transformar a Praça Lucena Maranhão, no bairro Bebedouro, em um caldeirão de música e dança. Mas agora, a praça permanece em silêncio, enquanto os membros do grupo foram obrigados a se realocar para locais distantes. O coordenador do grupo, José Roberto Júnior, mais conhecido como Betinho, desabafa:
"A gente sente muita saudade. A gente hoje se sente solitário. Solitário porque quando a gente estava ensaiando na praça, era o Fafá Júnior, era a comunidade toda, as famílias, as crianças tudo brincando na Praça Lucena Maranhão. Então a gente era movido na cultura, todos os jovens eram envolvidos em todas as danças folclóricas do bairro."
Apesar dos desafios, o Coco de Roda Reviver permanece forte. No entanto, outros coletivos culturais infelizmente tiveram que interromper suas atividades.
Quais medidas de compensação foram tomadas?
Além dos relatos emocionantes, o documentário também lança luz sobre as iniciativas de reparação. Em 22 minutos, a produção apresenta um plano abrangente de ações, com mais de 40 medidas compensatórias, e destaca a elaboração do Inventário Participativo do Patrimônio Imaterial, que documentou expressões culturais em 470 locais de memória coletiva.
O que dizem os responsáveis pela tragédia?
Este sábado, moradores organizam uma caminhada pelos bairros Flexais e Marques de Abrantes, recantos que perderam suas comunidades devido às operações da Braskem. A empresa, por sua vez, relata que todas as 14,5 mil propriedades foram incluídas em seu Programa de Compensação Financeira, com mais de 19 mil propostas emitidas e uma aceitação superior a 99% até janeiro deste ano.
Para explorar mais do documentário, assista através do vídeo abaixo:
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Com informações da Agência Brasil