Os casos recorrentes de feminicídio no Brasil chamaram a atenção durante a manifestação que marcou o Dia Internacional da Mulher, em Brasília. Com cartazes escritos Parem de Nos Matar, centenas de pessoas foram às ruas denunciar a violência de gênero, demandando medidas mais eficazes para combater essa realidade alarmante.
A manifestação aconteceu próximo à Torre de TV, no centro da cidade, e reuniu coletivos feministas, partidos políticos, sindicatos e grupos musicais. Além do pedido pelo fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho por um de descanso), considerada especialmente penosa para mulheres, protestos também foram direcionados à administração do Distrito Federal, liderada por Ibaneis Rocha.
Por que o governo do DF está no alvo?
O governo local se tornou foco do protesto, principalmente pela tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). O descontentamento é grande, e a Administração do Distrito Federal foi criticada pela falta de verbas para políticas públicas voltadas às mulheres.
Qual a conexão entre feminicídio e imperialismo?
A marcha também protestou contra o imperialismo, denunciando intervenções dos Estados Unidos no Oriente Médio e em Cuba e Venezuela, além das ações de Israel na Palestina. As organizadoras destacaram que essas questões internacionais também afetam a vida das mulheres e por isso fazem parte da pauta feminista.
Como a arte é utilizada na denúncia da violência?
A artista plástica Daniela Iguizzi, de 55 anos, participou com sua obra Medo, que retrata um revólver voltado contra uma mulher. "A mulher não tem um minuto de paz", desabafou, referindo-se à insegurança constante que as mulheres sentem em diversos ambientes.
Quais são as estatísticas alarmantes de violência?
Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um aumento de 4,7% comparado ao ano anterior, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Era esse o cenário que a coordenadora do grupo de maracatu Baque Mulher Brasília, Raquel Braga Rodríguez, denunciava durante a manifestação.
"O governo lançou esse Pacto Nacional contra o Feminicídio e a gente gostaria muito que essa política pública fosse realmente colocada em prática", afirmou Raquel.
Pacto contra o feminicídio: promessa ou realidade?
No início de fevereiro, um pacto foi assinado pelos três poderes para implementar medidas contra a violência de gênero. A cobrança por resultados concretos é grande, como mencionado por várias participantes do protesto.
Quais são os avanços da luta feminina?
Thammy Frisselly, uma das organizadoras do evento, lembrou dos dez anos da Marcha Unificada do 8 de Março e dos ganhos conquistados ao longo da luta, como a criação de mais delegacias para mulheres.
"O 8M é o maior ato político feminista da capital federal. A gente teve muitos avanços, não só nas leis, mas também no aumento no número de delegacias para mulheres", detalhou Thammy.
A necessidade de um orçamento justo para as políticas feministas foi reforçada por várias vozes durante o evento, destacando que, apesar dos progressos, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir a proteção e os direitos das mulheres no Brasil.
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Com informações da Agência Brasil