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BRASIL

Quilombo em Mato Grosso do Sul será o primeiro tombado pelo Iphan

Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, está prestes a entrar para a história como o local do primeiro quilombo oficialmente tombado do país. Conhecida como Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, ou simplesmente Tia Eva, esse lugar será ofic

09/03/2026

09/03/2026

Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, está prestes a entrar para a história como o local do primeiro quilombo oficialmente tombado do país. Conhecida como Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, ou simplesmente Tia Eva, esse lugar será oficialmente reconhecido no Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos. Este marco é um passo significativo na valorização e preservação cultural dos quilombos pela sociedade brasileira.

Na próxima terça-feira, dia 10, acontecerá a declaração oficial durante a 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O presidente do Iphan, Leandro Grass, antecipa que outras comunidades quilombolas também receberão esse reconhecimento. Segundo suas palavras, a "declaração de tombamento representa um importante gesto de reparação histórica às comunidades quilombolas".

O que o tombamento significa para a Comunidade Tia Eva?

Para muitos, como a arquiteta Rayssa Almeida Silva, que vive na comunidade, este reconhecimento é mais do que um ato formal; é um legado vivo. "Primeiro, buscamos realizar o sonho dos mais velhos. A outra luta é para despertar o interesse dos mais jovens", diz Rayssa, que tem trabalhado de perto com o Iphan durante o projeto de tombamento.

O superintendente João Henrique dos Santos destaca que o protagonismo da mulher negra e alforriada, Eva Maria de Jesus, é um pilar significativo deste reconhecimento. Com a liderada Tia Eva, a comunidade formou um importante marco de resistência negra no estado.

Qual o impacto histórico do quilombo?

Criado pela benzedeira Eva Maria de Jesus, conhecida afetuosamente como Tia Eva, o quilombo é uma testemunha da história rica e tumultuada do Brasil. Eva, uma vez escravizada e posteriormente alforriada, estabeleceu a comunidade que agora se consolida como um símbolo de força e resistência no contexto histórico e cultural do Mato Grosso do Sul.

Nilton dos Santos Silva, um dos descendentes de Tia Eva, expressa esperança de que o tombamento gere ainda mais interesse na história e no legado da comunidade. "Espero... que venham mais coisas para a comunidade, como reformas e visitantes", afirma Nilton, reforçando o desejo de se manter viva a história de suas raízes.

Como foi o processo de tombamento?

O início do processo de tombamento data dos primeiros meses de 2024 e foi mediado pela Portaria Iphan nº 135, de 20 de novembro de 2023. Essa portaria delineou princípios como autodeterminação e consulta prévia, assegurando que as novas políticas refletissem a vontade das comunidades quilombolas visadas. Assim, um Livro do Tombo específico para quilombos foi criado, valorizando a herança e a luta histórica da população afro-brasileira contra a escravidão e a discriminação.

Assim, este processo de tombamento é muito mais do que burocracia; ele reflete a resistência viva dos quilombos e o reconhecimento de espaços que muito simbolizam para a cultura nacional. Prepare-se para uma nova fase na história, onde a memória e a vivência dos quilombos são honradas e celebradas.

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Com informações da Agência Brasil

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