Pensar em jovens como indivíduos vulneráveis parece um conceito distante quando os números mostram que dois terços dos jovens infratores no Rio de Janeiro têm apenas entre 16 e 18 anos. Mais alarmante é reconhecer que simplesmente reduzir a maioridade penal não será a solução mágica para esse problema. Quem garante isso é a juíza Vanessa Cavalieri, responsável pela Vara de Infância e Juventude do estado, ao destacar a complexidade e profundidade do tema.
Em um depoimento que provocou reflexão, a juíza participou da CPI do Crime Organizado, ocorrida na terça-feira, dia 10, onde discutiu como jovens, muitos a partir dos 11 anos, se envolvem no crime buscando uma fonte de renda. A razão? A falta de apoio e referência dentro de um contexto familiar desestruturado. A juíza aponta um caminho: investir seriamente em planejamento familiar.
Por que os jovens recorrem ao crime?
A pressão de se profissionalizar e alcançar a tão desejada independência financeira é brutal para esses adolescentes. Assim, quando não conseguem oportunidades como jovens aprendizes, encontram nas organizações criminosas como o Comando Vermelho uma "empresa" que sempre está "contratando". O pagamento? R$ 200 por semana, trabalhando todos os dias. Fica claro que a realidade do tráfico se torna quase irresistível quando comparada a empregos formais muitas vezes inacessíveis para essa faixa etária.

O papel da internet na mudança do perfil infracional
A juíza também destacou a necessidade urgente de regulamentar a internet e de impor uma presença parental ativa para supervisionar o que acontece online. Ela observou que o perfil dos menores infratores mudou com o after-efeito pandêmico: muitos agora vêm de famílias de classe média ou alta, usando pela internet como ferramenta para cometimento de atos ilícitos com um véu de proteção virtual.
Os relatos são perturbadores: meninas sendo coagidas a participar de atos degradantes em frente às câmeras e meninos permitindo essas "sessões de tortura digital". Para combater esse tipo de desensibilização, que insensibiliza jovens à violência, a juíza adverte sobre a importância de intervenções precoces durante a infância.
Intervenções sociais que busquem tirar jovens de 13 anos do tráfico são mais eficazes do que tentar prender grandes nomes do crime. Esta é uma questão onde cedo, verdadeiramente, se torna melhor.
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Com informações da Agência Brasil