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BRASIL

CPI: jovens infratores da classe média atuam protegidos pela internet

Pensar em jovens como indivíduos vulneráveis parece um conceito distante quando os números mostram que dois terços dos jovens infratores no Rio de Janeiro têm apenas entre 16 e 18 anos. Mais alarmante é reconhecer que simplesmente reduzir a maioridade pen

10/03/2026

10/03/2026

Pensar em jovens como indivíduos vulneráveis parece um conceito distante quando os números mostram que dois terços dos jovens infratores no Rio de Janeiro têm apenas entre 16 e 18 anos. Mais alarmante é reconhecer que simplesmente reduzir a maioridade penal não será a solução mágica para esse problema. Quem garante isso é a juíza Vanessa Cavalieri, responsável pela Vara de Infância e Juventude do estado, ao destacar a complexidade e profundidade do tema.

Em um depoimento que provocou reflexão, a juíza participou da CPI do Crime Organizado, ocorrida na terça-feira, dia 10, onde discutiu como jovens, muitos a partir dos 11 anos, se envolvem no crime buscando uma fonte de renda. A razão? A falta de apoio e referência dentro de um contexto familiar desestruturado. A juíza aponta um caminho: investir seriamente em planejamento familiar.

Por que os jovens recorrem ao crime?

A pressão de se profissionalizar e alcançar a tão desejada independência financeira é brutal para esses adolescentes. Assim, quando não conseguem oportunidades como jovens aprendizes, encontram nas organizações criminosas como o Comando Vermelho uma "empresa" que sempre está "contratando". O pagamento? R$ 200 por semana, trabalhando todos os dias. Fica claro que a realidade do tráfico se torna quase irresistível quando comparada a empregos formais muitas vezes inacessíveis para essa faixa etária.

Tráfico de drogas no Rio de Janeiro

O papel da internet na mudança do perfil infracional

A juíza também destacou a necessidade urgente de regulamentar a internet e de impor uma presença parental ativa para supervisionar o que acontece online. Ela observou que o perfil dos menores infratores mudou com o after-efeito pandêmico: muitos agora vêm de famílias de classe média ou alta, usando pela internet como ferramenta para cometimento de atos ilícitos com um véu de proteção virtual.

Os relatos são perturbadores: meninas sendo coagidas a participar de atos degradantes em frente às câmeras e meninos permitindo essas "sessões de tortura digital". Para combater esse tipo de desensibilização, que insensibiliza jovens à violência, a juíza adverte sobre a importância de intervenções precoces durante a infância.

Intervenções sociais que busquem tirar jovens de 13 anos do tráfico são mais eficazes do que tentar prender grandes nomes do crime. Esta é uma questão onde cedo, verdadeiramente, se torna melhor.

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Com informações da Agência Brasil

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