O estupro coletivo sofrido por uma aluna do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, escancara a urgente necessidade de discussões sobre violência de gênero e educação sexual nas escolas. Estudantes, indignados, protestaram em frente à reitoria do colégio, reivindicando medidas de proteção eficazes para as mulheres.
Além desse caso que chocou o público recentemente, a Polícia Civil investiga outros dois casos envolvendo estudantes da mesma escola. Um adolescente é suspeito de liderar as emboscadas. Diante desses eventos perturbadores, a importância de retomar a educação sexual nas escolas nunca foi tão evidente.
O que levou os estudantes a protestarem?
Motivados pelos relatos de uma das vítimas que inicialmente questionou se a violência contra ela havia realmente ocorrido, estudantes, como Ana Belarmino, ressaltam que a falta de educação sobre gênero agrava esse tipo de situação. Para Ana, é crucial retomar as aulas sobre violência de gênero e educação sexual. "Precisamos que nossos alunos conheçam seus corpos e saibam identificar os tipos de violência sexual", afirmou ela, preocupada.
Qual é o papel da escola nesse contexto?
Ana destacou que o colégio tem evitado tais discussões devido a pressões sociais. Movimentos como "Escola Sem Partido" têm atacado a inclusão desses temas no currículo. A escola, inclusive, já foi palco de uma invasão por parlamentares em busca de material supostamente criminoso, sem nenhum resultado. "A educação começa em casa, mas a escola também tem um papel crucial na formação dos jovens", argumentou Ana.
"Não podemos deixar que movimentos reacionários silenciem o colégio sobre temas que afetam diretamente a vida das mulheres", enfatizou a estudante.
Como podemos combater o assédio nas escolas?
Gabriel Pinho Leite Monteiro, estudante e presidente do grêmio do campus Humaitá, defende medidas contra assédio moral e sexual, afirmando que "não têm nada a ver com doutrinação política". Segundo ele, espaços educativos devem educar novos homens que respeitem as mulheres. No entanto, para que isso se torne uma realidade, é preciso haver movimentos constantes que cobrem mudanças eficazes.
No Brasil, legislações como o Programa Saúde na Escola e a Base Nacional Comum Curricular incentivam a abordagem desses temas, mas alguns setores ainda se opõem, temendo uma sexualização precoce que os estudiosos refutam.
Por que o Colégio Pedro II não implementou medidas anti-assédio?
A declaração de Gabriel é reforçada pelos pedidos dos estudantes que criticaram o colégio por não implementar uma política contra o assédio, apesar de aprovada desde 2025. Somente recentemente, uma comissão foi criada para lidar com assédios, discriminações e racismo dentro da instituição. A professora Priscila Bastos observou que, até então, denúncias eram minimizadas, rotuladas como "falta de urbanidade".
Priscila revelou que a própria reitoria criou obstáculos burocráticos. "A proposta do colégio era restritiva, mas, finalmente, conseguimos a aprovação de uma política mais ampla", explicou a professora, reforçando que ainda há etapas a cumprir para que a comissão seja efetiva.
Responsáveis, como o Coletivo Resistência, um grupo de pais e ex-alunos, também clamam por uma política robusta de prevenção e combate ao assédio, ressaltando a necessidade de apoio público para maior efetividade.
"Precisamos de leis que garantam discussões sobre gênero, raça e sexualidade nas escolas", afirmou Maíra Arêas, representante do coletivo.
Ela alerta que a violência contra mulheres não é uma realidade isolada e cobra ações do Congresso e Governo Federal para garantirem a proteção das crianças e adolescentes.
Em resposta, a reitoria do Pedro II afirmou que lida com seriedade sobre violências, com iniciativas de acolhimento e apuração de condutas desde janeiro de 2026. Afirmando ainda que não há silêncio institucional sobre o tema.
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Com informações da Agência Brasil