Você sabia que ginecologistas e obstetras são geralmente os primeiros a identificar casos de violência contra a mulher? Um levantamento inédito da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) desvendou essa realidade importante. Os dados, divulgados no dia 10, mostram que esses profissionais frequentemente são os primeiros a perceber ou escutar relatos de violência em seus consultórios.
Na pesquisa nacional, 80% dos médicos especialistas em saúde feminina relataram ser os primeiros a receber queixas ou identificar sinais de violência contra a mulher. Entre os tipos de violência, a psicológica e emocional lidera, mencionada por cerca de 83% dos entrevistados. A seguir, vem a violência sexual, com 50% das menções; a violência física, com 35%; e a violência patrimonial, relatada por 25%.
Como os médicos lidam com a violência contra a mulher?
A violência sexual ainda enfrenta barreiras significativas devido à falta de uma ampla rede de apoio e encaminhamentos adequados. Dr. Roseli Nomura, diretora administrativa e membro do núcleo feminino da Febrasgo, destaca essas dificuldades. Ela explica: "Muitas vezes falta um fluxo de atendimento claro, estruturado, que dê apoio para um atendimento de saúde ou até para um atendimento legal."
Os médicos estão preparados para lidar com esses casos?
Apesar de estarem na linha de frente, apenas 25% dos ginecologistas e obstetras garantem estar muito ou bem preparados para conduzir atendimentos a vítimas de violência. Cerca de 51% possuem preparo intermediário, enquanto 23% se sentem pouco ou nada preparados. Isso demonstra uma lacuna significativa na formação profissional.
Quais são as soluções propostas?
Para suprir essas deficiências, a Febrasgo está mapeando carências regionais e promovendo formação continuada para esses médicos, incluindo conteúdos sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Dr. Nomura enfatiza: "A carência de equipe e uma estrutura bem organizada acabam prejudicando uma boa formação desse especialista".
Qual é o papel dos ginecologistas frente à violência?
Além de acolher as vítimas com escuta qualificada, os ginecologistas e obstetras têm a responsabilidade de identificar sinais de violência, encaminhar mulheres para redes de proteção, orientar sobre seus direitos e notificar casos, conforme determina a legislação. Este papel crítico dos profissionais da saúde é essencial para a proteção e apoio às vítimas.
A pesquisa contou com a participação de 289 médicos de todas as regiões do Brasil, mostrando um panorama claro das condições e desafios enfrentados no combate à violência contra a mulher no contexto dos cuidados em saúde.
*Com produção de Helder Castro
3:45?
Com informações da Agência Brasil