Você sabia que estudantes do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro recentemente se uniram em um protesto contra o assédio dentro das instalações escolares? Este ato de coragem aconteceu na terça-feira, dia 10, e deixou clara a preocupação dos alunos com a segurança e a frequência desses comportamentos inapropriados.
Essa manifestação é um reflexo da indignação após a denúncia chocante de um estupro coletivo ocorrido em janeiro. O crime foi praticado por quatro homens e um adolescente em Copacabana, zona sul da cidade. Dois dos acusados são alunos do Colégio Pedro II, incluindo Vitor Hugo Oliveira Simonin, filho de um ex-subsecretário do governo do Rio de Janeiro. Esse escândalo gerou uma onda de revolta e levou à demissão do pai de Vitor Hugo.
O que faz as alunas se sentirem ameaçadas?
A estudante Ana Belarmino, também do Colégio Pedro II, expressou o medo que muitas alunas sentem. "A gente tem medo real, na verdade, a gente tem até medo que aconteça alguma coisa com a gente. Não por causa do colégio, o colégio não é o nosso inimigo e eu acho que isso tem que ficar muito claro...", comentou Ana em referência a possíveis retaliações nos âmbitos virtual e presencial, especialmente por parte de grupos reacionários.
Por que o silenciamento sobre o assédio ainda persiste?
O silêncio sobre o tema do assédio continua a ser uma preocupação. Ana menciona a falta de espaço para discussão de gênero e sexualidade dentro da escola como um catalisador desse problema. "Quando a gente fala sobre esse licenciamento, a gente fala sobre o movimento que ele acontece por conta desse desrespeito que têm os movimentos reacionários com o Colégio Pedro II...", destacou, ressaltando a importância de debates abertos e informativos.
Quando a comissão de enfrentamento do assédio será efetiva?
Após muita discussão, foi finalmente aprovada a criação de uma comissão para enfrentar o assédio no Colégio Pedro II. Agora, a luta dos estudantes é para que esta comissão se torne ativa e não apenas uma ideia no papel.
Priscila Bastos, professora e integrante do Sindicato dos Servidores do colégio, comentou sobre as dificuldades enfrentadas: "O entrave maior, entre a nossa proposta o que a reitoria apresentou, é que a gente cria na nossa proposta uma comissão permanente de acolhimento e enfrentamento a essas questões de assédio, discriminações dentro da escola...". Priscila destacou a necessidade de uma estrutura institucionalizada para tratar do tema de maneira contínua e eficiente.
Quantos outros casos são investigados?
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que investiga mais dois casos de estupro envolvendo alunas adolescentes do Colégio Pedro II, associados ao mesmo grupo. Entre as vítimas, uma menina que tinha 14 anos na época dos abusos está agora com 17.
O Colégio Pedro II se manifestou repudiando qualquer forma de violência e assegurou que os incidentes são incompatíveis com os valores da instituição. Um processo disciplinar foi instaurado e a escola afirma que o assunto está sendo debatido em fóruns institucionais.
A reportagem tentou contatar a defesa de Vitor Hugo Oliveira Simonin e seu pai, José Carlos Simonin, mas não obteve resposta.
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Com informações da Agência Brasil