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Entenda o que são “redpill” e outros termos de ódio contra mulheres

Você já se deparou com discussões perigosas em fóruns de internet que incentivam o ódio de gênero? Esses espaços obscuros têm promovido um ambiente hostil em relação às mulheres, fomentando práticas prejudiciais que levam a casos alarmantes de violência,

12/03/2026

12/03/2026

Você já se deparou com discussões perigosas em fóruns de internet que incentivam o ódio de gênero? Esses espaços obscuros têm promovido um ambiente hostil em relação às mulheres, fomentando práticas prejudiciais que levam a casos alarmantes de violência, como o infeliz incidente de abuso coletivo ocorrido no Rio de Janeiro. De fato, conforme estudos indicam, **discursos de ódio** online são os precursores de ações violentas no mundo real, exigindo uma reflexão urgente sobre o impacto das palavras nas redes.

Ativistas e especialistas nomeiam esse movimento como "misoginia" – um preconceito estrutural que nutre o ódio contra mulheres e busca a manutenção de uma ordem social onde privilégios masculinos prevalecem.

Por que grupos misóginos usam termos equivocados?

Frequentemente, esses grupos recorrem à terminologia falsa como "misandria" para alegar injustamente que existe um movimento de ódio contra homens. Claro, o objetivo é criar uma falsa equivalência entre o feminismo e um suposto preconceito reverso. Para esses indivíduos, a **defesa pelos direitos das mulheres** aparece como uma ameaça à "masculinidade tradicional" que valorizam.

Como a justiça enfrenta a misoginia na internet?

A batalha contra esses ataques online teve um marco importante com a criação do blog "Escreva Lola Escreva" pela feminista e ativista Lola Aronovich. Desde 2008, ela tem resistido bravamente a agressões online, o que levou à prisão de um dos agressores e inspirou a **Lei nº 13.642/2018** – esta lei dá à Polícia Federal a responsabilidade de investigar conteúdos misóginos na internet.

“Desde o começo do meu blog, percebi que são homens héteros, de extrema direita”, afirma Lola. “Esses homens sempre carregam um combo de preconceitos: são machistas, mas também racistas, homofóbicos, gordofóbicos, xenófobos e capacitistas.”

Quais são os principais grupos de ódio online?

  • Machosfera: engloba canais de YouTube, grupos de WhatsApp e perfis de redes sociais que promovem masculinidade tóxica e combatem os **direitos femininos**.
  • Chans: fóruns anônimos conhecidos por discursos extremistas e coordenar ataques contra mulheres.
  • Incels: reivindicação de celibato involuntário com discurso de ódio direcionado às mulheres por alegados padrões sociais.
  • Redpill: inspirado em "Matrix", sugere um "despertar" para uma realidade onde mulheres dominam e exploram homens.
  • MGTOW: homens que optam por afastar-se de relacionamentos com mulheres alegando injustiças sociais.
  • PUA: "artistas da sedução" que utilizam manipulação para conquistar mulheres, tratando-as como prêmios.
  • Tradwife: mulheres que defendem papéis de gênero tradicionais, priorizando o lar e a submissão ao marido.

Quem são os estereótipos nesse mundo virtual?

  • Blackpill: prega que o destino masculino é determinado por genética, sem espaço para mudança.
  • Bluepill: usado pejorativamente para descrever homens que acreditam na **igualdade de gênero**.
  • Chad: homem "perfeito" segundo essa visão misógina, desejado por mulheres pelo físico e confiança.
  • Alfa: ideal de dominância e sucesso alcançável pelo esforço.
  • Beta: homem comum, visto de forma negativa por estes grupos.
  • Sigma: "alfa solitário" que foca no sucesso pessoal e despreza **validações sociais**.
  • Stacy: mulher considerada atraente, admirada mas vista como inacessível.
  • White Knight: termos para descrever homens que defendem mulheres, mas vistos como interessados apenas em favor sexual.
  • Becky: caracterizada como mediana e comum.

Quais são as gírias usadas por esses grupos?

  • Depósito: termo pejorativo referindo-se a mulheres como "recipientes" para prazer masculino.
  • 80/20: teoria alegando que uma minoria de homens atrai a maioria das mulheres.
  • Hypergamy: crença de que as mulheres escolhem parceiros por **status superior**.
  • AWALT: generalização "todas as mulheres são assim" para estereotipar comportamentos.
  • Femoids: ofensiva comparação com organismos, usada para degradar mulheres.

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Com informações da Agência Brasil

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