As engrenagens da economia brasileira continuam a girar em alta velocidade, contrariando expectativas e demonstrando a resiliência de nosso mercado de trabalho. Apesar dos juros elevados, o Brasil não apenas se mantém estável, mas também cria empregos a taxas surpreendentes. De acordo com economistas ouvidos pela Agência Brasil, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), estamos vivenciando um cenário inusitado onde a desocupação alcançou seu menor patamar histórico desde 2012. Parece intrigante, não?
O segredo por trás dessas boas novas foi revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, nesta quinta-feira (31), divulgou um levantamento mostrando que a taxa de desocupação do trimestre encerrado em junho caiu para apenas 5,8%. Mas como chegamos aqui, e o que esse número realmente significa para o futuro do emprego? Vamos explorar mais a fundo.
Por que o mercado de trabalho está aquecido apesar dos juros altos?
É intrigante como o Brasil consegue manter um mercado de trabalho aquecido mesmo em meio a altas taxas de juros. Gilberto Braga, economista e professor do Ibmec, expressou sua surpresa com a situação, especialmente considerando que a Selic está em 15% ao ano. Ele destaca que, ao contrário do esperado, não apenas o desemprego diminuiu, mas a contratação de trabalhadores com carteira assinada e a remuneração média também aumentaram.
“O resultado é surpreendente na medida que, não apenas com relação ao desemprego absoluto, mas, em todas as formas de cruzamento, veio muito positivo: houve aumento da contratação de pessoas com carteira assinada, diminuição da informalidade e aumento da remuneração média do trabalhador.”
O que está impulsionando o mercado de trabalho?
No entanto, o que está por trás dessa força do mercado? Sandro Sacchet, economista do Ipea, explica que a resposta do mercado ao aumento dos juros é naturalmente lenta, dependendo mais do consumo das famílias do que dos investimentos empresariais. Esse consumo é sustentado, em parte, pelos valores aumentados do programa Bolsa Família, agora permanentemente em R$ 600.
Outro fator significativo é o crescimento dos trabalhadores por conta própria, que somam 25,7 milhões. Desses, entre 75% e 80% são informais, e isso torna a economia mais resiliente às variações nos juros.
Qual é o impacto dos juros na economia e no nível de emprego?
Os juros altos, como os ditados pela Selic, têm efeitos contracionistas na economia. Eles encarecem empréstimos e desestimulam investimentos, o que normalmente reduziria a atividade econômica e, consequentemente, o emprego. Contudo, o economista Rodolpho Tobler da FGV aponta que, até agora, a forte atividade econômica tem segurado o impacto negativo esperado.
“Enquanto a economia gira em ritmo forte, a taxa de desemprego e o mercado de trabalho vão na mesma linha”, afirma Tobler, ainda que com uma certa contradição.
O que esperar para os próximos meses?
Olhando para o futuro, Tobler prevê que o aquecimento econômico pode desacelerar. Ele avisa que, embora não esperemos demissões em massa, o crescimento do emprego pode não continuar no mesmo ritmo. Em contrapartida, Sacchet antevê uma pequena elevação na taxa de desemprego antes de um novo declínio por conta das contratações sazonais de fim de ano. Para ele, apesar das flutuações, a taxa de desemprego deve se manter inferior aos níveis de 2024.
Esse cenário revela não só um mercado de trabalho resiliente como mergulha em questões mais amplas sobre a interseção entre política monetária, consumo familiar e tendências de emprego no Brasil. Você não está curioso para ver o que vem a seguir?
Com informações da Agência Brasil