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ECONOMIA

Centro de inovação leva transição energética para dentro da indústria

A inovação em torno da transição energética ganha um novo espaço de destaque com a inauguração do Senai Park em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Este centro promissor se propõe a atuar como um verdadeiro "berçário" de tecnologia industrial, int

20/10/2025

20/10/2025

A inovação em torno da transição energética ganha um novo espaço de destaque com a inauguração do Senai Park em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Este centro promissor se propõe a atuar como um verdadeiro "berçário" de tecnologia industrial, integrando plantas-piloto que permitem às empresas desenvolver, testar e medir o desempenho de novas técnicas e produtos, com um enfoque claro na sustentabilidade ambiental. A iniciativa já atraiu a atenção de mais de dez empresas, com um investimento somado de R$ 100 milhões.

Em 2025, ano da 30ª Conferência sobre o Clima das Nações Unidas ocorrendo em Belém, os dois projetos de maior destaque no Senai Park estão fortemente alinhados com práticas de descarbonização— incentivando uma produção energética mais limpa que evita o acúmulo de gases de efeito estufa. Vamos entender como o hidrogênio verde se insere nessa visão inovadora.

Como o hidrogênio verde pode revolucionar a transição energética?

O primeiro projeto do Senai Park investe na produção e pesquisa do hidrogênio verde. Utilizando um eletrolisador, o centro transforma água em hidrogênio, um gás que, quando isolado, serve como combustível sem emitir CO². Apesar de ser o elemento mais comum na natureza, o hidrogênio raramente é encontrado sozinho, geralmente está integrado a outros elementos, como na água.

A eletrólise é o método usado para extrair o hidrogênio da água, e quando essa eletrólise é alimentada por fontes de energia renováveis, como hidrelétricas, o hidrogênio produzido é classificado como "verde". A partir deste vetor energético, o Senai Park trabalha não só em combustíveis para veículos, mas também em formas de armazenar o hidrogênio em células combustíveis, transformando-o em eletricidade. O eletrolisador do parque é capaz de produzir 30 quilos de hidrogênio por dia—suficiente para abastecer quatro veículos para uma viagem de ida e volta entre o Porto de Suape e Recife.

Centro de inovação leva transição energética para dentro da indústria

Empresas como Neuman & Esser, Siemens, White Martins e outras estão envolvidas, sinalizando um forte apoio financeiro e colaborativo para o projeto.

Quais os desafios e benefícios competitivos da energia limpa?

A transição para energia limpa, como o hidrogênio verde, proporciona benefícios além da sustentabilidade ambiental. No cenário global, especialmente na União Europeia, há pressão para que indústrias apresentem operações menos poluentes, o que se traduz em economia significativa ao evitarem taxas para emissões elevadas de poluentes.

"Produtos intensivos de energia, como cimento ou ácido, que são exportados para o mercado europeu, precisam ter certificação de energia limpa".

Essas pressões internacionais estão impulsionando investimentos em inovação que, embora ambiciosos, prometem recompensar financeiramente as empresas que se adaptarem primeiro, gerando uma vantagem competitiva clara.

Como o Senai Park está contribuindo para o armazenamento de energia?

Outro aspecto vital da inovação no Senai Park é o desenvolvimento de sistemas para o armazenamento de energia excedente, comparados a "grandes baterias". Essa inovação pode solucionar o curtailment, uma prática de descarte de energia gerada em excesso por fontes não contínuas como as eólicas e solares. As empresas do setor elétrico frequentemente perdem compensações durante esses descartes.

"A gente poderia armazenar essa energia e depois produzir hidrogênio com a energia residual que não está sendo usada", projeta Oziel Alves, Diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE.

Onde as baterias de lítio entram nesta equação?

Complementando o cenário de inovação, o Senai Park iniciou um projeto para a produção de baterias de lítio de baixa tensão, essenciais para a crescente frota de veículos elétricos. Este projeto, liderado por um grupo já conhecido na indústria automobilística, o Grupo Moura, simboliza um passo estratégico na "tropicalização" dessas novas tecnologias no Brasil, prometendo reduzir a dependência das baterias importadas da China.

A confiabilidade e a disponibilidade nacional deste componente chave são vistas como alavancas para a transição energética brasileira, com um investimento inicial de R$ 20 milhões e uma capacidade projetada de mil baterias por mês.

Que papel a indústria desempenha na descarbonização?

Bruno Veloso, da Fiepe, reforça que a indústria é um elo indispensável na cadeia da descarbonização. As tecnologias desenvolvidas no Senai Park oferecem não apenas a chance de evitar a emissão de CO² processual, mas a oportunidade de renovar o papel que a indústria desempenha em um futuro sustentável no Brasil e no mundo.

"Não se pode falar em descarbonização sem que a indústria esteja totalmente inserida no tema", destaca Veloso.

*Repórter e fotógrafo da Agência Brasil participaram desta reportagem a convite do Senai-PE.



Com informações da Agência Brasil

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