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ECONOMIA

Manutenção da Selic em 15% ao ano preocupa setor produtivo

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa Selic em 15% ao ano provocou reações em diversos setores da economia brasileira, como a indústria, o comércio, a construção civil e o movimento sindical. A Confede

05/11/2025

05/11/2025

A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa Selic em 15% ao ano provocou reações em diversos setores da economia brasileira, como a indústria, o comércio, a construção civil e o movimento sindical. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) destaca os efeitos nocivos de juros elevados na atividade econômica do país, especialmente no cenário internacional, onde muitos países já começaram a reduzir suas taxas. Como será o futuro da economia diante deste cenário?

Ricardo Alban, presidente da CNI, reforçou que a política monetária atual é excessivamente contracionista e prejudica o crescimento do Brasil. Ele argumentou que a Selic tem freado a economia além do necessário, já que a inflação está diminuindo. Será que os altos juros colocam em risco o mercado de trabalho e o bem-estar da população?

Como a construção civil está sendo afetada pela Selic alta?

O setor da construção civil também vê com preocupação o cenário atual. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Renato Correia, salientou que uma Selic elevada aumenta os custos do crédito imobiliário e inibe novos projetos.

“A construção é um dos setores mais sensíveis ao custo do crédito e à confiança do consumidor. Uma Selic de 15% torna muitos empreendimentos inviáveis”, afirmou Correia.

Não é à toa que a CBIC reduziu a projeção de crescimento para 2025 de 2,3% para 1,3%, atribuindo isso ao prolongado ciclo de juros elevados.

Por que os sindicatos estão preocupados com os impactos fiscais?

Sindicatos também se manifestaram contra a decisão do BC. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) da CUT estima que cada ponto percentual de aumento da Selic onera os cofres públicos com quase R$ 50 bilhões a mais em gastos com juros da dívida.

“Estamos falando de quase R$ 1 trilhão desviados para o rentismo, que poderiam ser investidos em saúde, educação e infraestrutura”, declarou Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT.

A Força Sindical classifica esse período como a “era dos juros extorsivos”, impactando diretamente no consumo e renda das famílias, especialmente no fim do ano.

Qual a posição dos supermercados sobre as taxas de juros elevadas?

O setor de supermercados também critica a elevada Selic. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), o Brasil está seguindo no sentido contrário ao restante do mundo que reduz juros.

“Temos hoje a segunda maior taxa real de juros do mundo, prejudicando os investimentos, o consumo das famílias e perpetuando os entraves estruturais ao desenvolvimento”, segundo Felipe Queiroz, economista-chefe da entidade.

A cautela monetária é realmente necessária nesse momento?

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) reconhece a cautela do Banco Central. Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da ACSP, justifica que manter a Selic alta é necessário para enfrentar inflação acima da meta, mesmo diante de uma desaceleração econômica e valorização do real.

“Esse quadro, somado à expansão fiscal, à resiliência do mercado de trabalho e às incertezas externas, justifica uma postura monetária cautelosa”, acrescentou Gamboa.



Com informações da Agência Brasil

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