Imagine um cenário onde mais de 8,6 milhões de brasileiros conseguem deixar a linha da pobreza em apenas um ano. Parece um sonho, mas aconteceu em 2024, quando a taxa de pobreza no país caiu de 27,3% para 23,1%, o menor índice registrado desde 2012. Como o Brasil conseguiu realizar essa façanha? E o que isso significa para a população que vive com menos de US$ 6,85 por dia?
Para entender o impacto dessas mudanças, vale a pena mergulhar nas estatísticas e nas estratégias adotadas, desde os efeitos da pandemia até a recuperação econômica que se desenrola diante de nossos olhos. Vamos explorar o que aconteceu e como o Brasil está lidando com os desafios sociais de maneira única.
Como o trabalho e a transferência de renda influenciaram a pobreza?
Nos últimos anos, o Brasil tem lutado para se recuperar dos impactos da pandemia de covid-19. De acordo com André Geraldo de Moraes Simões, pesquisador do IBGE, a queda na pobreza em 2020 foi, em parte, devido aos programas assistenciais emergenciais, como o Auxílio Emergencial. No entanto, quando esses benefícios foram reduzidos em 2021, a pobreza voltou a subir. Em 2022, o cenário começou a melhorar com a recuperação do mercado de trabalho e o fortalecimento dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que tiveram valores aumentados e beneficiaram mais pessoas.
“Tanto o mercado de trabalho aquecido, quanto os benefícios de transferência de renda, principalmente o Bolsa Família e o Auxílio Brasil, que ganharam maiores valores e ampliaram o grupo da população que recebia”, assinala Simões.
A extrema pobreza também diminuiu?
Sim! O Brasil também registrou uma queda significativa na extrema pobreza. Em 2023, 9,3 milhões de pessoas viviam com menos de US$ 2,15 por dia, mas em 2024 esse número caiu para 7,4 milhões. Essa redução fez a taxa de extrema pobreza despencar de 4,4% para 3,5%, estabelecendo um novo recorde positivo.
Quais são as diferenças regionais e raciais na pobreza no Brasil?
Embora as reduções gerais sejam motivo de celebração, a desigualdade regional e racial ainda é preocupante. As regiões Norte e Nordeste apresentam índices de pobreza e extrema pobreza muito superiores à média nacional, com taxas de pobreza de 39,4% e 35,9%, respectivamente. Além disso, a população negra e parda continua a enfrentar taxas de pobreza mais altas em comparação com a população branca.
O que diz o Índice de Gini sobre a desigualdade no Brasil?
O Índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, registrou uma melhora em 2024, atingindo o menor valor desde 2012, com 0,504. Essa melhora é atribuída, em parte, aos programas sociais, como o Bolsa Família, que ajudam a mitigar as desigualdades. O estudo revela que, sem esses programas, o índice seria brutalmente mais alto, em 0,542.
Os pesquisadores também realizaram projeções hipotéticas sobre o impacto de não haver benefícios previdenciários para idosos. Sem esses benefícios, a extrema pobreza entre idosos poderia saltar de 1,9% para 35,4%. A pobreza geral entre eles também subiria drasticamente.
Nota-se também que a informalidade no mercado de trabalho é um fator de vulnerabilidade importante. Entre os trabalhadores informais, um em cada cinco vivia na pobreza, o que reflete o peso da formalização do emprego no combate à desigualdade econômica.
Com informações da Agência Brasil