A isenção do Imposto de Renda para Pessoa Física (IRPF) para quem ganha menos de R$ 5 mil está prestes a mudar a realidade de muitos professores da educação básica no Brasil. A partir de janeiro de 2026, além dos que serão totalmente isentos, haverá uma redução significativa no tributo para docentes que recebem até R$ 7.350. Essa mudança impactará positivamente três em cada quatro professores, nas redes pública e privada, proporcionando o equivalente a um "14º salário" ao longo do ano. Essa pesquisa foi divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estimulando uma reflexão sobre o futuro financeiro dos educadores.
Essa reforma não é apenas sobre números; é uma transformação social para mais de 600 mil professores da educação básica. De acordo com a Lei nº 15.270/2025, assinada pelo presidente Luiz Inácio da Lula em novembro, pouco mais da metade dessa categoria verá seus salários livres da tributação. Essas mudanças prometem aliviar a carga financeira dos docentes e fornecer mais fôlego financeiro para outras necessidades.
Como a reforma do IRPF afeta os professores?
Aumentar a proporção de professores isentos de IRPF de 19,7% para 51,6% representa um marco na história da educação no Brasil. Segundo o Ipea, 21,9% desses profissionais ainda terão uma redução no imposto, processo que beneficiará cerca de 73,5% da categoria. Esses números vêm de uma análise detalhada da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que fornece um panorama abrangente do mercado de trabalho brasileiro.
Qual é o efeito multiplicador na economia local?
Adriano Souza Senkevics, um técnico de planejamento e pesquisa do Ipea, destacou que essa mudança não apenas ajuda os educadores, mas também retoma a progressividade fiscal defasada. Com a correção da tabela do IR, o aumento da alíquota de tributação agora leva em conta a renda e o patrimônio dos contribuintes. Como resultado, cidades em todo o país sentirão um efeito multiplicador econômico. Mais renda significa mais consumo, o que naturalmente gera mais arrecadação e beneficia a economia local.
Como variam os salários dos professores no Brasil?
Apesar do Piso Nacional do Magistério ser de R$ 4.867,77 para uma jornada semanal de 40 horas, os salários dos professores podem variar substancialmente entre diferentes regiões. Essa variação está ligada ao plano de carreira que cada secretaria de educação estabelece. Senkevics espera que em estados como Minas Gerais, Tocantins e Roraima, a porcentagem de professores isentos do IR dobre, trazendo alívio econômico e inflamando mudanças positivas na educação.
Mesmo no Distrito Federal, onde os educadores recebem os melhores salários, a mudança promete aumentar a isenção de 10% para 25%. Esses ajustes revelam não apenas uma reforma tributária, mas um redesenho da valorização dos profissionais da educação pelo governo.
Com informações da Agência Brasil