Esta semana, um estudo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) trouxe à tona um cenário preocupante para o setor automotivo brasileiro: a substituição da produção local pela montagem de kits importados poderia resultar na perda de 69 mil empregos diretos, além de impactar outros 227 mil postos indiretos ao longo da cadeia produtiva. A perspectiva dessa transformação no modelo de produção industrial levanta diferentes implicações não apenas para o emprego, mas também para fabricantes de autopeças e até mesmo para as exportações do país.
Você já imaginou como essa mudança pode afetar a economia nacional? Ao ampliar o uso dos regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down) para montagem de veículos, o impacto negativo poderia se estender a diversos setores. Esses regimes consistem na importação de veículos desmontados para montagem no Brasil, com o CKD envolvendo processos mais complexos como soldagem e pintura, enquanto o SKD traz carros quase prontos em grandes conjuntos. O exemplo mais notável é a montadora chinesa BYD, que opera nesse modelo em sua fábrica de Camaçari, na Bahia.
Quais são as possíveis perdas econômicas com as mudanças na produção automotiva?
De acordo com a Anfavea, o estudo aponta para uma perda econômica considerável. As estimativas incluem até R$ 103 bilhões impactando fabricantes de autopeças e uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos. Além disso, as exportações de veículos sofreriam uma queda de R$ 42 bilhões em um ano, enfraquecendo a balança comercial brasileira.
Como a isenção de impostos para SKD e CKD está influenciando as montadoras tradicionais?
No ano passado, o governo federal permitiu uma cota adicional de US$ 463 milhões, com Imposto de Importação zerado, para veículos elétricos e híbridos desmontados. Essa decisão foi contestada por montadoras tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, todas representadas pela Anfavea. A medida beneficiou principalmente a BYD, gerando descontentamento entre as empresas já estabelecidas. Agora, com o vencimento do benefício previsto para este mês, a Anfavea pressiona por sua não renovação, argumentando que os incentivos deveriam incluir aportes de valor local e não apenas montagem massiva.
O que a Anfavea está fazendo para proteger a indústria automotiva nacional?
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defende que SKD e CKD não são necessariamente ruins, mas critica a manutenção de incentivos que facilitam a montagem sem exigência de valor nacional, ameaçando a indústria complexa e seus empregos qualificados. "A Anfavea e suas associadas não temem a concorrência, mas buscam um ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos", afirma. Em manifesto, a associação alertou que a isenção pode parecer uma solução de curto prazo, mas enfraquece o setor a longo prazo, visto que não desenvolve cadeias locais nem gera empregos na mesma escala.
Até o momento, a BYD não apresentou comentários sobre o assunto. Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importar CKD e SKD encerra este mês, sem pedidos para renovação.
Com tantas variáveis em jogo, fica a pergunta: qual será o futuro da indústria automotiva brasileira? Esta é uma questão que está longe de ser resolvida, mas que certamente continuará movimentando debates dentro do setor nos próximos anos.
Com informações da Agência Brasil