Recentemente, o Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A, uma importante instituição financeira controlada pelo Banco Master. Este movimento ocorre após o Banco Master ter sido igualmente liquidado e colocado sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro de 2025. A decisão de liquidação do Will Bank foi oficializada nesta quarta-feira (21).
No contexto atual, o Banco Central decidiu pela indisponibilidade dos bens dos controladores e antigos gestores da Will Financeira, que fazia parte do conglomerado Master. Essa é uma medida que busca assegurar um processo de liquidação justo e responsável.
Por que a liquidação foi necessária?
A pergunta que não quer calar é: por que a liquidação do Will Financeira foi inevitável? A resposta passa pela avaliação do BC no último dia 19 de janeiro. Foi identificado que a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com o importante arranjo de pagamentos Mastercard Brasil. Tal descumprimento levou ao bloqueio de sua participação nesse esquema, comprometendo seriamente sua situação financeira.
Com esse cenário, a única alternativa viável para o BC foi decretar sua liquidação. Afinal, além da insolvência, foi evidenciado um vínculo de interesse devido ao controle do Banco Master.
Qual foi o papel do Banco Master na crise?
É impossível ignorar o papel fundamental do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, nesta crise financeira. O banco viu um crescimento expressivo oferecendo produtos como Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com altas rentabilidades. Entretanto, para se manter nesse mercado competitivo, passou a adotar práticas de risco elevado, inflando artificialmente seus balanços enquanto a liquidez real se deteriorava.
Além disso, as investigações conduzidas pelo BC e pela Polícia Federal revelaram que o colapso do Banco Master não foi apenas uma questão numérica, mas sim institucional. Isso envolveu estratégias financeiras controversas e ligações suspeitas com atividades de outras instituições financeiras.
O que as investigações revelaram?
Durante os anos de 2023 a 2024, descobriu-se que o Banco Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de operações trianguladas. Parte dessas atividades envolviam empréstimos para empresas "laranja", que posteriormente investiam em fundos geridos pela Reag Investimentos. Esses fundos, por sua vez, adquiriram ativos de baixo valor, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), a preços significativamente inflacionados.
O BC identificou seis desses fundos suspeitos da Reag, possuindo um patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões. Esses fundos demonstravam movimentações financeiras complexas entre intermediários, com um destino final obscuro. Essa estrutura financeira levantou suspeitas sobre a veracidade das transações realizadas.
Com informações da Agência Brasil