A liquidação extrajudicial está novamente nos holofotes com os recentes casos do Banco Master e do Will Bank, entidades pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Enquanto o Banco Master teve sua liquidação decretada em novembro de 2025, o Will Bank foi liquidado só em janeiro de 2026. Essa diferença de tempo gerou muitas dúvidas entre investidores e correntistas.
Após a liquidação do Banco Master, o Banco Central (BC) assumiu o controle do Will Bank, que passou a funcionar sob um regime especial de administração temporária. Isso visava preservar operações, evitar impactos negativos aos clientes e buscar uma possível solução para manter a empresa em funcionamento, como a venda para novos investidores.
Por que o Banco Central decretou a liquidação do Will Bank?
O desenrolar dessa história começou quando o Banco Master foi liquidado, e a situação financeira do Will Bank piorou gradualmente, agravada por aumento dos passivos e problemas operacionais. Uma falha crucial no arranjo de pagamentos da Mastercard resultou no bloqueio do Will Bank no sistema da bandeira, interrompendo o uso dos cartões. Isso levou à suspensão dos serviços, o que, na avaliação do Banco Central, caracterizou a insolvência irreversível da instituição.
O Banco Central destacou que a liquidação foi inevitável devido à situação econômica do Will Bank, que já não conseguia cumprir suas obrigações financeiras. A conexão direta com o já liquidado Banco Master foi fator importante para essa decisão.
Como funciona a liquidação extrajudicial de um banco?
A liquidação extrajudicial é uma solução administrativa adotada para encerrar, de forma organizada, as atividades de instituições financeiras em crise. Quando essa medida é anunciada, os clientes costumam ficar apreensivos sobre o destino de suas contas e investimentos.
O objetivo principal, segundo o Banco Central, é proteger os direitos dos depositantes e credores e o sistema financeiro como um todo, tentando evitar maiores prejuízos e uma possível falência desordenada.
Quem tem a palavra final sobre a liquidação?
Nos casos de liquidação extrajudicial, o Banco Central possui autoridade exclusiva para tal decisão. A liquidação pode ser proposta pelo próprio órgão ou, em alguns casos, pelos administradores da instituição, desde que isso esteja previsto nos documentos institucionais. Geralmente, a liquidação é decretada em situações de insolvência persistente, violações de normas, fraudes, falhas graves ou má gestão administrativa.
Além dos bancos, outras empresas de setores sensíveis, como seguradoras e planos de saúde regulados por entidades como a Susep e a ANS, também podem ser colocadas em regime de liquidação extrajudicial.
Qual é o próximo passo para os bancos em liquidação?
Quando um banco entra em liquidação, todas as suas operações são congeladas. Isso inclui contas, transferências e a emissão de novos contratos. O Banco Central nomeia um liquidante, que é responsável por avaliar e vender ativos, e por organizar o pagamento das dívidas aos credores conforme a ordem estabelecida por lei.
O que acontece com os clientes?
Clientes que possuem contas no banco perdem imediatamente o acesso aos serviços. Os saldos existentes são integrados ao passivo da instituição em liquidação, e o titular da conta se torna um credor no processo. O pagamento dessas dívidas dependerá das garantias disponíveis e do andamento do trabalho do liquidante designado pelo Banco Central.
Seus investimentos estão seguros?
Depósitos e alguns tipos de investimentos oferecem garantias por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura valores de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, incluindo produtos como contas correntes, poupança, CDBs, RDBs, LCIs e LCAs.
Para CDBs, a proteção permanece dentro desse limite. Em conglomerados financeiros, o valor pode variar conforme a data de emissão e a forma de organização das instituições pelo FGC, podendo reduzir a cobertura disponível.
O FGC está compensando R$ 40,6 bilhões a cerca de 800 mil investidores do Banco Master. Originalmente, esperava-se pagamentos entre R$ 41 bilhões e R$ 43 bilhões para 1,6 milhão de clientes. Com a liquidação do Master, o passivo aumentou em R$ 6,3 bilhões, elevando o custo total para R$ 46,9 bilhões.
E as dívidas dos clientes?
A liquidação extrajudicial não afeta débitos dos clientes, e financiamentos, empréstimos e outras obrigações continuam válidos. A administração desses contratos passará a ser gerida por um liquidante ou por qualquer outra entidade que possa eventualmente assumir parte dessas operações.
Os bens dos administradores são afetados?
Sim, a legislação determina que os bens dos controladores e ex-administradores fiquem indisponíveis. Isso impede que esses patrimônios sejam transferidos enquanto as responsabilidades são apuradas, garantindo maior proteção para os credores do banco.
Qual a melhor atitude para o cliente em situações de liquidação?
Clientes com contas ou investimentos em instituições liquidadas devem reunir toda a documentação, como extratos e comprovantes, além de seguir apenas os comunicados oficiais do Banco Central e do Fundo Garantidor de Créditos. Este último alerta contra possíveis tentativas de golpe durante esses períodos de instabilidade no sistema financeiro.
Liquidação x falência: qual a diferença?
Embora parecidas, a liquidação e a falência têm diferenças fundamentais. A liquidação extrajudicial é um processo inicial que ocorre sob supervisão do Banco Central. Já a falência é um estágio posterior, decretado quando os ativos são insuficientes ou há indícios de irregularidades mais graves.
Os recentes casos do Banco Master e do Will Bank destacam a importância de entender o que é uma liquidação extrajudicial e conhecer seus direitos nessas circunstâncias financeiras desafiadoras.
Com informações da Agência Brasil