Se você é um amante do café, essa notícia pode não ser das mais saborosas. Com o aumento dos preços nos últimos anos, o consumo de café no Brasil sofreu uma leve queda, conforme divulgou a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, houve um recuo de 2,31% no consumo, caindo de 21,9 milhões de sacas de 60 kg para 21,4 milhões. Apesar disso, a resiliência brasileira em relação ao café parece inabalável. E a alta no preço? A culpa é da volatilidade no mercado, que resultou em um aumento de 5,8% para os consumidores.
Muita coisa aconteceu desde 2021, época em que o clima complicou e as safras não foram das melhores. De acordo com Pavel Cardoso, presidente da Abic, essa escalada nos preços do café é parte de uma história de ampla resiliência. Incrivelmente, mesmo com o aumento de mais de 200% no custo da matéria-prima, o consumo se manteve. Isso demonstra o quão fundamental a bebida é para o dia a dia do brasileiro.
Como o mercado se adapta às mudanças nos preços do café?
Os preços do café subiram substancialmente, mas, ainda assim, a indústria do café no Brasil reportou um crescimento de 25,6% em seu faturamento, totalizando R$ 46,24 bilhões em 2025. Isso mesmo, enquanto muitos choram os preços elevados, o aumento foi benéfico para as receitas do setor. A Abic aposta que 2026 trará alguma estabilidade, com a expectativa de safras melhores que poderão manter os preços em um patamar mais acessível. Mas, até lá, promoções podem ser a âncora para atrair mais consumidores.
O que esperar do futuro do café brasileiro?
Pavel Cardoso destaca que, mesmo com estoques historicamente baixos, a nova safra tem potencial para minimizar a volatilidade dos preços. Mas não espere reduções substanciais de imediato. Para que o consumidor veja preços mais baixos, serão necessárias pelo menos duas safras favoráveis para reequilibrar os estoques mundiais.
“Mesmo com um arrefecimento da volatilidade, não existem grandes espaços para reduções substanciais no preço do produto, porque os estoques estão historicamente baixos”, explica Pavel Cardoso.
Como as tarifas internacionais impactam o mercado de café?
Os obstáculos não estão apenas nos preços internos. No lado internacional, o café solúvel brasileiro ainda enfrenta tarifas nos EUA, que suspenderam as taxas de 40% sobre o café em grão, mas deixaram o café solúvel de fora. No entanto, com a recente assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, as perspectivas para a indústria de café podem ser mais brilhantes. “Este é um grande desafio positivo para a indústria brasileira”, avalia Pavel.
Se este cenário se confirmar, os amantes do café podem ter bons motivos para sorrir no futuro, com um mercado mais estável e, quem sabe, preços mais amigos no horizonte.
Com informações da Agência Brasil