31° 22° | Rio de Janeiro - RJ

Dólar |

Euro |

Peso | 3.20


lupa
lupa
lupa
ECONOMIA

Consumo das famílias compensa juros e leva desemprego ao menor nível

Apesar de a taxa básica de juros do Brasil ter atingido o ápice em quase duas décadas, o país surpreendeu ao alcançar a menor taxa de desemprego desde 2012. Divulgados pelo IBGE na última sexta-feira, os dados revelam um cenário intrigante: uma economia q

30/01/2026

30/01/2026

Apesar de a taxa básica de juros do Brasil ter atingido o ápice em quase duas décadas, o país surpreendeu ao alcançar a menor taxa de desemprego desde 2012. Divulgados pelo IBGE na última sexta-feira, os dados revelam um cenário intrigante: uma economia que freia, mas com um mercado de trabalho aquecido. O que se esconde por trás desses números? Descubra o papel fundamental do consumo das famílias neste quadro.

A economia brasileira em 2025 apresentou um interessante paradoxo. Enquanto os juros altos, subindo de 10,5% para 15% em menos de um ano, prometiam esfriar os ânimos, a taxa de desemprego caiu para 5,6%, uma redução significativa em relação aos 6,6% de 2024. Mas como isso é possível em um cenário de juros altos e como as famílias se comportam?

Qual o papel das famílias na redução do desemprego?

De acordo com Adriana Beringuy, coordenadora da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, as compras das famílias foram o principal motor na queda do desemprego. "A economia é sustentada principalmente pelo consumo das famílias", observa ela. Os brasileiros encontraram caminhos para manter o consumo sem depender tanto de crédito.

Como o amortecimento dos juros impacta a economia?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic para 15% no meio de 2025 em uma tentativa de controlar a inflação, que teimava em ficar fora da meta. No entanto, mesmo com os riscos conhecidos como encarecer o crédito e desestimular investimentos, os brasileiros driblaram parcialmente os efeitos restritivos dos juros altos.

Leia mais sobre o controle dos juros.

Por que o consumo não dependeu tanto de crédito?

Segundo Beringuy, o redirecionamento do consumo para bens não duráveis, como alimentos e serviços pessoais, evitou um impacto maior nos índices de emprego. "Esse consumo foi possível não pelo crédito, mas por conta do crescimento da renda", destaca a analista. O aumento dos rendimentos e do salário mínimo contribuiu para essa "retroalimentação benéfica" na economia.

Quais setores mais empregaram em 2025?

O comércio liderou a lista, empregando 19,5 milhões de trabalhadores, seguido pelos setores de saúde, educação e segurança social (19 milhões). Outros setores significativos incluem:

  • Informação e comunicação: 13,4 milhões
  • Indústria geral: 13,3 milhões
  • Agricultura e pecuária: 7,9 milhões
  • Construção: 7,4 milhões

Como o trabalhador por conta própria se destacou em 2025?

Um significativo número de 26,1 milhões de pessoas trabalharam por conta própria em 2025, com 73% delas de maneira informal. Beringuy comenta que esse aumento não representa uma redução do emprego formal, ressaltando que há crescimento "também no vínculo formal".

Assim, a economia brasileira de 2025 nos oferece um interessante estudo de contrastes e resiliência, onde famílias encontram formas de driblar as dificuldades em meio a um cenário macroeconômico desafiador. A força do consumo e a busca por soluções alternativas de renda parecem ser a chave para navegar neste mar de incertezas.



Com informações da Agência Brasil

Tags