A economia brasileira tem enfrentado desafios com as taxas de juros elevadas, impactando diretamente o desempenho da indústria. Em 2025, mesmo com o crescimento registrado de 0,6%, a indústria desacelerou nos últimos meses do ano. A pergunta que fica é: como a indústria brasileira sobreviveu a esse cenário desafiador?
Os dados, divulgados na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que este foi o terceiro ano consecutivo de crescimento. No entanto, os números escondem uma desaceleração evidente quando se compara o desempenho do primeiro semestre com o segundo. A partir de setembro, a produção começou a retrair.
Por que a indústria perdeu ritmo no final de 2025?
A comparação entre os semestres de 2025 é reveladora: até junho, foi observado um aumento na produção de 1,2% em relação ao ano anterior. No entanto, os últimos seis meses não apresentaram crescimento, e houve uma queda de 1,9% de setembro a dezembro. Dezembro fechou com um recuo de 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024. Isso coloca o setor 0,6% acima do período pré-pandemia, mas ainda 16,3% abaixo do pico histórico, registrado em maio de 2011.
Quem liderou o crescimento na indústria?
Das quatro grandes categorias econômicas, duas registraram crescimento: bens de consumo duráveis cresceram 2,5% e bens intermediários, 1,5%. Por outro lado, categorias como bens de consumo semi e não duráveis e bens de capital tiveram retração.
- Indústrias extrativas: crescimento de 4,9%
- Indústria de produtos alimentícios: crescimento de 1,5%
Qual foi o impacto dos juros altos?
Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, a política monetária restritiva, com a taxa Selic em altos patamares, foi um fator crucial para a desaceleração. Isso desestimulou tanto investimentos das empresas quanto o consumo das famílias, que é uma parte vital para bens duráveis.
“Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, explica Macedo.
A altíssima taxa de juros aumentou também a inadimplência, à medida que os empréstimos ficaram mais caros.
Como a inflação influenciou esse cenário?
Em setembro de 2024, o Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), elevou a taxa Selic de 10,5% para 15% ao ano. Essa medida foi uma resposta ao índice de inflação oficial, que passou quase todo 2025 fora do intervalo de tolerância da meta do governo.
Embora essa política vise controlar a inflação, o efeito colateral é um desaquecimento na economia, diminuindo a demanda por produtos e serviços e, consequentemente, a oferta de empregos. No entanto, uma luz no fim do túnel apareceu com a taxa de desemprego no menor nível já registrado ao final de 2025, conforme divulgado pelo IBGE.
Entender como a política monetária e as pressões inflacionárias moldaram a indústria brasileira ao longo de 2025 é crucial para prever os próximos passos e se preparar para desafios futuros.
Com informações da Agência Brasil