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ECONOMIA

Mais da metade dos negócios em favelas foi aberta a partir da pandemia

Há cerca de quatro anos, a designer Ligia Emanuel da Silva transformou uma ideia em realidade e abriu o Entorno Acessórios no território potiguara de Rio Tinto, na Paraíba. Inspirada pela pandemia, Ligia decidiu empreender, criando e vendendo acessórios q

05/02/2026

05/02/2026

Há cerca de quatro anos, a designer Ligia Emanuel da Silva transformou uma ideia em realidade e abriu o Entorno Acessórios no território potiguara de Rio Tinto, na Paraíba. Inspirada pela pandemia, Ligia decidiu empreender, criando e vendendo acessórios que celebram a cultura e estética africanas. Com apenas uma maleta de miçangas herdada de sua mãe, ela deu vida às primeiras peças de sua marca.

"Eu já fazia para mim e passei a fazer para adornar outros corpos", disse Ligia, revelando como o desejo pessoal se tornou um negócio promissor na Agência Brasil. Seus adornos são mais do que simples peças; são discursos visuais sobre identidade e ancestralidade, fundamentados em saberes tradicionais e trabalho manual.

Como um simples hobby se transformou em um negócio lucrativo?

Ao criar o Entorno Acessórios, Ligia não visava apenas lucro. Com um perfil no Instagram para promover seus produtos, ela vê na sua atividade um ato político, uma forma de resistência e afirmação cultural. Trabalhando sozinha, a designer busca difundir a estética cultural por meio dos adornos que cria.

Mais da metade dos negócios em favelas foi aberta a partir da pandemia
Ligia Emanuel da Silva abriu um pequeno negócio em Rio Tinto, litoral norte da Paraíba - Foto: Ligia Emanuele/Arquivo pessoal

Como a pandemia impulsionou negócios em favelas?

Ligia é parte de uma estatística surpreendente: mais da metade dos negócios em favelas surgiram pós-pandemia. Segundo a pesquisa do Data Favela, 56% dos empreendimentos em favelas nasceram a partir de fevereiro de 2020. Este fenômeno está intimamente ligado à necessidade de reinvenção diante da crise econômica gerada pela covid-19.

Para Cleo Santana do Data Favela, a pandemia obrigou muitos a transformarem hobbies em fontes de renda. "É a capacidade de se reinventar", comenta Cleo, destacando como muitos passaram a vender produtos que antes criavam apenas para consumo pessoal.

Quais são os desafios e perfis dos novos empreendedores?

A pesquisa mapeou que a maioria, 37%, iniciou seus negócios com um capital inferior a R$ 1.520, recorrendo majoritariamente a economias pessoais. A administração ainda pulsa no pulso de um desafio: 59% mantêm registros em cadernos e enfrentam a falta de acesso ao crédito.

Mais da metade dos negócios em favelas foi aberta a partir da pandemia
Data Favela entrevistou 1 mil empreendedores de favelas em todo o Brasil - Foto: Lucas Costa/Divulgação

Qual é o papel dos negócios na economia das favelas?

Segundo o Data Favela, os empreendedores das favelas movimentam cerca de R$ 300 bilhões anualmente. Como explicou Cleo Santana, cada novo negócio gera empregos locais e fortalece a economia ao incentivar o consumo dentro da própria comunidade. Pequenos empreendedores, como Ligia, são fundamentais nesse ciclo econômico local.

Mais da metade dos negócios em favelas foi aberta a partir da pandemia
Empreendedores das favelas e periferias movimentam R$ 300 bilhões por ano - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Assim, aos poucos, as favelas vão se redesenhando economicamente, sustentadas por uma base impressionante de resiliência e inovação. As histórias de vida, como a de Ligia e seu empreendimento, mostram o poder do ato de empreender como um movimento de liberdade e transformação social.



Com informações da Agência Brasil

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