Há cerca de quatro anos, a designer Ligia Emanuel da Silva transformou uma ideia em realidade e abriu o Entorno Acessórios no território potiguara de Rio Tinto, na Paraíba. Inspirada pela pandemia, Ligia decidiu empreender, criando e vendendo acessórios que celebram a cultura e estética africanas. Com apenas uma maleta de miçangas herdada de sua mãe, ela deu vida às primeiras peças de sua marca.
"Eu já fazia para mim e passei a fazer para adornar outros corpos", disse Ligia, revelando como o desejo pessoal se tornou um negócio promissor na Agência Brasil. Seus adornos são mais do que simples peças; são discursos visuais sobre identidade e ancestralidade, fundamentados em saberes tradicionais e trabalho manual.
Como um simples hobby se transformou em um negócio lucrativo?
Ao criar o Entorno Acessórios, Ligia não visava apenas lucro. Com um perfil no Instagram para promover seus produtos, ela vê na sua atividade um ato político, uma forma de resistência e afirmação cultural. Trabalhando sozinha, a designer busca difundir a estética cultural por meio dos adornos que cria.
Como a pandemia impulsionou negócios em favelas?
Ligia é parte de uma estatística surpreendente: mais da metade dos negócios em favelas surgiram pós-pandemia. Segundo a pesquisa do Data Favela, 56% dos empreendimentos em favelas nasceram a partir de fevereiro de 2020. Este fenômeno está intimamente ligado à necessidade de reinvenção diante da crise econômica gerada pela covid-19.
Para Cleo Santana do Data Favela, a pandemia obrigou muitos a transformarem hobbies em fontes de renda. "É a capacidade de se reinventar", comenta Cleo, destacando como muitos passaram a vender produtos que antes criavam apenas para consumo pessoal.
Quais são os desafios e perfis dos novos empreendedores?
A pesquisa mapeou que a maioria, 37%, iniciou seus negócios com um capital inferior a R$ 1.520, recorrendo majoritariamente a economias pessoais. A administração ainda pulsa no pulso de um desafio: 59% mantêm registros em cadernos e enfrentam a falta de acesso ao crédito.
Qual é o papel dos negócios na economia das favelas?
Segundo o Data Favela, os empreendedores das favelas movimentam cerca de R$ 300 bilhões anualmente. Como explicou Cleo Santana, cada novo negócio gera empregos locais e fortalece a economia ao incentivar o consumo dentro da própria comunidade. Pequenos empreendedores, como Ligia, são fundamentais nesse ciclo econômico local.
Assim, aos poucos, as favelas vão se redesenhando economicamente, sustentadas por uma base impressionante de resiliência e inovação. As histórias de vida, como a de Ligia e seu empreendimento, mostram o poder do ato de empreender como um movimento de liberdade e transformação social.
Com informações da Agência Brasil