27° 25° | Rio de Janeiro - RJ

Dólar |

Euro |

Peso | 3.20


lupa
lupa
lupa
ECONOMIA

Câmara Legislativa aprova uso de imóveis públicos para socorrer BRB

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, nesta terça-feira (3), um projeto que impacta diretamente o futuro financeiro do Banco de Brasília (BRB). Com 14 votos a favor e 10 contrários, a proposta autoriza um aporte de até R$ 6,6 bilhões do Govern

03/03/2026

03/03/2026

A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou, nesta terça-feira (3), um projeto que impacta diretamente o futuro financeiro do Banco de Brasília (BRB). Com 14 votos a favor e 10 contrários, a proposta autoriza um aporte de até R$ 6,6 bilhões do Governo do Distrito Federal (GDF) no banco, visando cobrir prejuízos em operações com o Banco Master.

Encabeçado por Ibaneis Rocha, governador do DF, o projeto sanciona a capitalização do BRB, facilitando a contratação de empréstimos de grandes montas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou por outras entidades financeiras. A medida ainda contempla a utilização de nove imóveis públicos como ativos, que podem ser vendidos, transferidos ou até incorporados em fundos imobiliários para reforçar as finanças do banco.

Por que o projeto é tão controverso?

Antes de ser aprovado, o projeto foi alvo de intensas negociações e articulações políticas. Na véspera da votação, Nelson Antônio de Souza, presidente do BRB, se reuniu por cerca de 12 horas com deputados distritais. Ele sublinhou a importância da aprovação, afirmando que a não aprovação colocaria em risco não só o banco, mas também funções essenciais como pagamento de servidores e programas sociais.

Apesar de garantir certo alívio para o banco, a medida gerou ambiente polarizado dentro da Câmara. Parlamentares governistas frisaram que a proposta era crucial para manter o banco sob controle do DF. "Não vamos deixar o BRB ir para o fundo do poço", ressaltou Hermeto (MDB), líder do governo.

O que dizem os opositores?

O cenário foi diferente entre a oposição. A deputada Paula Belmonte (PSDB) questionou a falta de laudos detalhados sobre os imóveis utilizados como garantia, qualificando o projeto como um "cheque em branco". Já Chico Vigilante (PT) criticou a alienação de bens públicos sem a devida comprovação de interesse público, mencionando que a oposição planeja recorrer à Justiça para bloquear a iniciativa.

Adicionalmente, um estudo técnico da Consultoria da Câmara Legislativa indicou a rejeição do projeto por conter riscos jurídicos e fiscais, que poderiam violar a Lei de Responsabilidade Fiscal e impactar severamente o orçamento local.

Quais foram as emendas adicionadas?

Diante do clima tenso, foram feitas emendas ao projeto antes de sua aprovação final:

  • Relatórios trimestrais detalhados sobre as operações do BRB;
  • Reversão de fundos excedentes ao necessário para restabelecer o capital do banco, retornando ao DF;
  • Garantias de compensação com imóveis equivalentes à CEB, Caesb e Terracap, se seus terrenos forem usados;
  • 20% do valor arrecadado será alocado no Iprev-DF, que poderá usar esse montante para investir em ações do banco;
  • Criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) em regime de condomínio fechado com o DF como cotista inicial, ficando o BRB responsável por sua estruturação.

O que esperar daqui para frente?

O BRB já movimenta ações para avançar com a proposta, solicitando aos acionistas que autorize um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões. Uma assembleia está agendada para 18 de março, e o resultado final será divulgado até 31 de março, junto com o balanço de 2025. O segundo turno da votação deverá ocorrer em breve, fechando mais um capítulo dessa negociação carregada de tensão e expectativa no Distrito Federal.



Com informações da Agência Brasil

Tags