Você já parou para pensar no papel crucial que as mulheres têm no crescimento profissional umas das outras? Uma pesquisa inédita da Nexus revelou uma tendência poderosa: quatro em cada dez mulheres atribuem seu sucesso profissional a outras mulheres. Além disso, representam uma rede de apoio essencial que continua a moldar as carreiras femininas em todo o país.
Realizada com 1.534 mulheres em posições de liderança no Brasil, a pesquisa aponta que apenas 14% das entrevistadas reconheceram ter recebido auxílio preferencialmente de homens em suas trajetórias profissionais. Este dado levanta uma questão importante sobre a dinâmica de apoio no ambiente de trabalho e como ela varia de acordo com faixa etária e setor profissional.
Por que as mulheres são as principais apoiadoras umas das outras?
Um dado marcante é que 48% das mulheres entre 25 e 40 anos sentem que tiveram a carreira impulsionada por outras mulheres. Áreas de marketing, publicidade e comunicação lideram este cenário com 56%, seguidas por educação e treinamento corporativo com 53%. Em contraste, mulheres em cargos como presidente ou CEO tendem a relatar mais apoio masculino, com taxas que chegam a 20%.
"Não adianta nós mulheres estarmos preparadas, se você não tem uma rede e uma aliança robusta por trás," ressalta Simone Murata, CEO da Todas Group, que vê o papel das mulheres como agentes de ascensão de outras mulheres como crucial.
Quais são as renúncias mais comuns no caminho para o sucesso?
O estudo também revela desafios significativos: 74% das entrevistadas tiveram que abrir mão do autocuidado, enquanto 53% sacrificaram tempo com família e saúde mental. Ainda, renunciar ao lazer é uma realidade para 37% das mulheres, e uma em cada quatro optou por adiar a maternidade ou o desejo de ter filhos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2023, os atendimentos de Síndrome de Burnout entre mulheres no SUS subiram 54% comparado ao ano anterior, superando os casos entre homens. Isso destaca a necessidade urgente de equilíbrio na vida pessoal e profissional.
Como as percepções sobre renúncias variam com a idade?
As renúncias variam conforme a idade. Mulheres mais jovens (18 a 24 anos) destacam perdas na vida social (50%) e em relacionamentos afetivos (32%). Para o grupo entre 25 a 40 anos, a saúde mental é a principal renúncia (58%). As mais velhas priorizaram a carreira sobre o tempo familiar, com 60% delas citando isso como o maior sacrifício.
Simone Murata percebe que o cenário está mudando para melhor, com menos necessidade de constante comprovação entre as jovens líderes de hoje. "A ascensão feminina precisa ser equilibrada para que o trabalho seja sempre o nosso motor de prazer," afirma.
Como a comunidade feminina está inovando?
No cenário empresarial, líderes como Denise Hamano, da Magalu, estão promovendo redes de apoio. Junto a Luiza Helena Trajano, criaram uma comunidade de mais de 3 mil mulheres empreendedoras que se apoiam mutuamente para superar desafios como a tripla jornada de trabalho. A troca de dicas e um programa de mentoria são oferecidos para fortalecer essa rede de apoio.
Diante de tantos desafios, refletir sobre o papel das mulheres na promoção do crescimento profissional é essencial. Encorajar essa cultura de apoio e colaboração pode ser a chave para transformar o ambiente de trabalho em espaços mais inclusivos e equilibrados.
Com informações da Agência Brasil