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ECONOMIA

Cidade de São Paulo tem mais de 12,6 mil trabalhadores ambulantes

Se você já caminhou pelas ruas de São Paulo, já deve ter percebido a presença marcante dos vendedores ambulantes. Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que a cidade concentra mais

06/03/2026

06/03/2026

Se você já caminhou pelas ruas de São Paulo, já deve ter percebido a presença marcante dos vendedores ambulantes. Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que a cidade concentra mais de 12 mil trabalhadores ambulantes em bancas de vendas espalhadas pela capital. Esses vendedores enfrentam uma série de desafios, desde longas jornadas de trabalho até a ausência de autorização da prefeitura, o que impacta diretamente suas condições de vida e de trabalho.

Esse estudo ressalta que, além de trabalharem sem formalização, muitos desses profissionais possuem uma renda consideravelmente menor do que a média dos trabalhadores da metrópole. E mesmo assim, para a maioria, essa é a única fonte de rendimento, sendo que 73% não manifestam desejo de mudar de profissão.

Por que tantos escolhem a informalidade?

Uma parte considerável dos ambulantes em São Paulo depende totalmente dessa atividade para sobreviver, e muitos não veem alternativa melhor. De acordo com o levantamento, 76% dos trabalhadores são proprietários de suas bancas, enquanto apenas 2% têm emprego formal. Este cenário reflete uma realidade onde a busca por estabilidade no comércio de rua se torna o único caminho viável para muitos.

Quem são esses trabalhadores?

A maioria dos vendedores ambulantes em São Paulo são homens, entre 31 e 50 anos (40%), e mais da metade se identifica como preto ou pardo. Interessantemente, 31% são imigrantes, provenientes de 30 países, principalmente da América do Sul. Esse dado indica uma diversidade cultural que compõe o comércio de rua paulistano.

Quais são as principais dificuldades enfrentadas?

O direito ao trabalho em via pública é uma das questões mais críticas enfrentadas pelos ambulantes. Apenas 39% têm permissão formal para atuar nos locais onde trabalham. Para aqueles que não possuem essa autorização, o desejo de regularização é grande, mas os obstáculos financeiros e burocráticos se mostram desanimadores.

Como é a jornada de trabalho e remuneração?

Os ambulantes paulistanos têm jornadas de trabalho superiores à média geral. Enquanto cerca de 74% dos ocupados na cidade trabalham até 44 horas semanais, 44% dos ambulantes excedem esse tempo. A média salarial também é um reflexo desse cenário: os ambulantes ganham cerca de R$ 3 mil mensais, bem abaixo da média de R$ 5.323,04 dos demais trabalhadores da capital.

O que é vendido nas ruas?

Os produtos mais vendidos pelos ambulantes incluem roupas (55%), alimentos preparados (14%), e eletrônicos (5,4%), entre outros itens como bebidas e bijuterias. A diversidade de mercadorias é um reflexo da tentativa dos vendedores de atender às diversas demandas dos transeuntes.

A pesquisa, conduzida em julho e agosto do ano passado, abrangeu 70 áreas de grande concentração de ambulantes e ouviu 2.772 trabalhadores. Focando apenas nos que trabalham em pontos fixos, o levantamento trouxe à tona a complexa realidade dos vendedores de rua que, mesmo sob condições adversas, encontram nesse ofício uma fonte de subsistência fundamental.

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Com informações da Agência Brasil

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