O novo recorde nas vendas do comércio varejista do Brasil pode parecer surpreendente em tempos de juros altos, mas a chave está em dois fatores cruciais: a oferta de crédito à pessoa física e um dos menores índices de desemprego já registrados no país. Mas o que isso significa para a economia e o seu bolso? Vamos explorar essa questão com base na análise do gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, Cristiano Santos, do IBGE.
De acordo com Santos, a combinação desses fatores impulsionou o comércio varejista a alcançar um patamar histórico em janeiro. A análise é sustentada pelos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam para um crescimento de 0,4% nas vendas do comércio em comparação com o mês anterior. Agora, o que há por trás desses números e como eles refletem no seu cotidiano?
Por que o comércio está batendo recordes?
As vendas no comércio varejista registraram crescimento em janeiro, mantendo o setor em níveis recordes. O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, responsável por 55,2% do total do varejo, também acompanhou esse desempenho positivo. Este resultado pode ser observado no aumento de 2,9% da massa salarial em janeiro em comparação ao mês anterior, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).
O impacto do mercado de trabalho no seu bolso
O mercado de trabalho brasileiro está num ponto que pode ser considerado otimista para muitos. Com uma massa salarial chegando a R$ 370,3 bilhões e uma taxa de desemprego de 5,4%, o menor índice já registrado, o número de pessoas ocupadas alcançou incríveis 102,7 milhões. Isso representa mais dinheiro circulando na economia, o que pode se traduzir em maiores oportunidades de consumo e um fôlego para as vendas do varejo.
Crédito: vilão ou aliado do consumidor?
Apesar de a taxa Selic estar em 15% ao ano, a oferta de crédito à pessoa física cresceu 1,6% em janeiro. Esse cenário pode até parecer contraditório, mas o crédito permanece como um importante alicerce para o comércio ou, pelo menos, para manter as operações em alta. No entanto, enquanto o crédito pessoal permanece em alta, empréstimos para veículos tiveram uma retração de 6,2%, mostrando que apesar da expansão, nem todos os setores são beneficiados da mesma forma.
A influência dos juros altos na economia
Definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, a taxa Selic tem um papel fundamental ao influenciar outras taxas de juros no país. Quando elevada, a Selic tende a restringir o consumo e investimentos, fazendo com que o mercado dê uma esfriada para conter a inflação. Este movimento pode afetar a capacidade de consumo dos brasileiros, mesmo em um cenário de aumento de salários e crédito.
Você conhece as fintechs e o Open Finance?
Mesmo com um cenário de juros altos, há uma luz no fim do túnel para o crédito graças à concorrência entre instituições financeiras e a digitalização bancária. As fintechs, com suas soluções tecnológicas, estão aumentando a oferta e a facilidade de acesso ao crédito. Com o Open Finance, um sistema que permite às instituições financeiras uma melhor análise de risco através dos dados bancários dos clientes, as chances de você encontrar uma boa oferta de crédito aumentam.
De acordo com a professora de economia Gecilda Esteves, a concorrência e a digitalização não só estão promovendo mais inclusão bancária, mas também ajudando a reduzir o custo do crédito. Portanto, mesmo em tempos de incerteza, essas novidades podem ser a chave para manter o acesso a recursos financeiros sob controle.
?
Com informações da Agência Brasil