Com a tensão gerada pela imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos, uma nova oportunidade surge no horizonte internacional: a finalização do acordo entre Mercosul e União Europeia. Na última quarta-feira (20), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o líder francês, Emmanuel Macron, reiteraram seu comprometimento para avançar nas negociações de um tratado tão aguardado, que tem enfrentado desafios, especialmente por resistência de setores franceses.
Embora existam dúvidas e discordâncias, principalmente no que se refere às exigências ambientais nas produções agrícola e industrial, este acordo pode abrir novas oportunidades comerciais para o Brasil. Estando na presidência do Mercosul, o Brasil busca com afinco finalizar este marco comercial. Seria agora o momento decisivo para essa conclusão?
O que emperra o acordo Mercosul-União Europeia?
Lula e Macron reconhecem a importância do acordo, mas um fator constantemente citado pelo presidente francês é a questão ambiental. Para Macron, as garantias verdes são insuficientes, enquanto Lula, por sua vez, acusa a França de usar isso como justificativa para proteger seus próprios interesses agrícolas. Essa troca de acusações revela a complexidade de equilibrar interesses nacionais com as demandas ecológicas internacionais.
Como o Mercosul avança em outras frentes comerciais?
A busca por novos horizontes de comércio não para por aí. O acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), incluindo países como Islândia e Noruega, foi um importante passo. Ainda no radar, estão negociações promissoras com Japão, Vietnã e Indonésia. Para sustentar esse impulso, Lula propõe até mesmo uma cúpula virtual do BRICS para setembro. O que será que vem por aí?
Qual a posição do Brasil perante as medidas dos EUA?
Diante da pressão imposta pelas tarifas norte-americanas, acusadas de serem uma chantagem política, o Brasil não pretende ficar de braços cruzados. Recentemente, Trump elevou as tarifas de alguns produtos em 50%, enquanto o Brasil se defende relatando injustiça. Lula expressou a Macron seu descontentamento acerca dessa estratégia de negociação e destacou as medidas adotadas para proteger o mercado brasileiro. A resposta do Brasil incluí está a apresentação de um recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Quais são as expectativas para a COP30 em Belém?
O evento ganha um tom especial com a confirmação da presença de Macron na COP30, que este ano será organizada pelo Brasil. Para Lula, esta será uma "COP da verdade", ou seja, o momento em que se poderá ver claramente quais países estão realmente dispostos a agir de acordo com a ciência. Como o Brasil se posiciona no cenário global e no compromisso com ações mais verdes?
Além disso, os dois líderes discutiram sobre as negociações de paz na Ucrânia, e Macron elogiou a iniciativa do Grupo de Amigos da Paz, do qual Brasil e China são protagonistas.
O que o Brasil precisa para avançar na governança global?
Em meio a tantas disputas e negociações internacionais, Lula pontuou suas preocupações com o aumento dos gastos militares mundiais. Um aspecto crucial é a destinação desses recursos num planeta onde milhões ainda enfrentam a fome. A saída do Brasil do Mapa da Fome da FAO é um resultado significativo, mas ele defende uma reforma das instituições multilaterais para uma governança global mais inclusiva e representativa. Poderá o Brasil ser um catalisador de mudanças nesse cenário urgente?
A conversa entre esses líderes não apenas traça horizontes para cooperação bilateral, especialmente na área de defesa, mas também reforça a intenção de aprofundar a relação estratégica entre as nações. No entanto, muitos desafios ainda persistem, aguardando as soluções que poderão surgir dessa colaboração internacional.
Com informações da Agência Brasil