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“Manipulação eleitoral” ganha força nos EUA com pressão de Trump

Nos Estados Unidos, a manipulação dos distritos eleitorais, conhecida por "gerrymandering", tornou-se uma prática crescente entre políticos republicanos, impulsionada pelo ex-presidente Donald Trump. Recentemente, após mudanças no Texas, foi a vez do Miss

05/09/2025

05/09/2025

Nos Estados Unidos, a manipulação dos distritos eleitorais, conhecida por "gerrymandering", tornou-se uma prática crescente entre políticos republicanos, impulsionada pelo ex-presidente Donald Trump. Recentemente, após mudanças no Texas, foi a vez do Missouri se envolver nesse processo, com o objetivo de elevar a representação republicana nas eleições legislativas de 2026. A tática busca beneficiar os conservadores nas eleições ao manipular as fronteiras dos distritos, um plano que, segundo críticos, mina a própria fundação democrática do país.

O "gerrymandering" vem sendo intensificado sob a pressão de Donald Trump, que exige de forma incisiva que estados controlados por republicanos alterem os mapas dos distritos eleitorais para garantir uma maioria na Câmara de Representantes dos EUA. A preocupação de Trump se centra na possibilidade de perder o controle do parlamento em 2026, onde sua maioria é composta por apenas três deputados.

Como o Texas alterou a balança política com novos distritos?

No final de agosto, o Texas revisou seus distritos, provocando um aumento de cinco deputados à Câmara. O deputado democrata Vince Perez criticou as mudanças, alegando que "o voto de uma pessoa branca passou a ter o mesmo peso que cinco votos de pessoas negras". O novo desenho, afirma, favorece amplamente a população branca, apesar de brancos e hispânicos representarem cerca de 40% da população cada um.

Mapa dos distritos eleitorais do Texas

O professor James Green descreveu como a manipulação eleitoral distorce a representatividade: "as linhas dos distritos podem atravessar centros urbanos, onde a diversidade é maior, e se estender até áreas rurais, majoritariamente republicanas, diluindo assim o poder das minorias".

Por que o modelo distrital americano preocupa os críticos?

Ao contrário do sistema proporcional brasileiro, a eleição distrital nos EUA se baseia na maioria dos votos em cada distrito. Isso significa que os eleitores de minorias muitas vezes não conseguem eleger representantes, já que seus votos não são considerados além de suas divisões distritais. As mudanças nos limites dos distritos visam, assim, garantir a representação de uma maioria política específica, comprometendo a diversidade do eleitorado.

"O sistema americano não é nada democrático. O sistema brasileiro é mais justo", conclui o professor Green.

O que aconteceu no Missouri?

Nesta quinta-feira (5), no Missouri, iniciou-se a análise sobre a reconfiguração dos distritos eleitorais, com esperança de conclusão em breve. O governador republicano Mike Kehoe afirmou que "os valores conservadores devem ser representados", endossando o novo mapa. A iniciativa foi aplaudida por Trump, que em redes sociais incentivou a aprovação para ampliar a presença republicana.

"O novo mapa do Congresso do Missouri proporcionará ao seu povo a chance de eleger mais republicanos", declarou Trump entusiasticamente.

Como a Califórnia está respondendo?

Em reação, a Califórnia, sob controle dos democratas, planeja redesenhar os seus distritos para neutralizar os ganhos republicanos no Texas. O governador Gavin Newsom afirmou, determinado: "Vamos combater fogo com fogo". Contudo, devido às rigorosas leis locais, qualquer mudança precisará passar por referendo em novembro.

Historicamente, o resenho dos distritos eleitorais deveria basear-se em mudanças demográficas indicadas pelos censos decenais, contudo, a busca por vantagem política leva, muitas vezes, a intervenções questionáveis. Alguns estados já adotaram comissões independentes para lidar com esse processo, na tentativa de mantê-lo mais neutro.

A pressão por mudanças nos distritos não se limita aos estados republicanos; democratas em Illinois, Nova York e Maryland também estudam alterações para enfrentar as estratégias adversas. O debate sobre a ética e a legalidade do "gerrymandering" segue aceso, refletindo um cenário político volátil e divisivo nos EUA.



Com informações da Agência Brasil

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