Os eleitores do Equador tomaram uma decisão significativa neste domingo, 16 de outubro, ao rejeitarem as propostas avançadas pelo presidente de direita, Daniel Noboa. Em uma votação crucial, quatro questões foram colocadas em pauta, incluindo a possibilidade de autorizar bases militares estrangeiras no país e a convocação de uma Assembleia Constituinte para reescrever a constituição equatoriana. O resultado foi um claro "não" à maioria das ideias de Noboa, refletindo uma escolha pela soberania e um desejo de preservar as estruturas existentes.
Os plebiscitos suscitaram fervorosas discussões pelo país, especialmente a respeito da criação de bases militares estrangeiras. Esta proposta foi rejeitada por 60,65% dos eleitores, enquanto 39,35% expressaram apoio. Noboa aceitou o resultado, comprometendo-se a continuar sua luta pelo país com as ferramentas disponíveis. "Nosso compromisso não muda, se fortalece. Continuaremos lutando incansavelmente pelo país que vocês merecem", declarou em uma rede social.
Por que a população equatoriana rejeitou bases militares estrangeiras?
A instalação de bases militares estrangeiras foi amplamente debatida no Equador, um país que em 2008, proibiu a presença de forças estrangeiras em seu território. Noboa, no entanto, argumentou que tais bases poderiam ajudar no combate ao narcotráfico e chegou a receber a secretária de Segurança Nacional dos EUA, Kristi Noem, em Manta. Apesar disso, a proposta não encontrou ressonância entre a população, que se preocupa com a soberania nacional.
Quais são as outras medidas rejeitadas?
Além das bases militares, outras propostas rejeitadas envolviam o fim do financiamento público dos partidos e uma redução significativa no número de parlamentares. Essas mudanças pretendiam remodelar o cenário político equatoriano, mas os eleitores decidiram manter o status quo, rejeitando por margem clara tais ideias.
Como a oposição reagiu a esses resultados?
Luisa González, presidente do partido oposicionista Revolução Cidadã, celebrou o resultado como uma vitória contra "a influência estrangeira" e "a manipulação". A oposição sustenta que as medidas violariam a soberania nacional e abririam portas para interferências externas.
O que motivou a proposta de uma nova Assembleia Constituinte?
A ideia de reescrever a Constituição foi apresentada sob o argumento de que a atual, instituída pela administração de Rafael Correa em 2008, protege criminosos. No entanto, 61,65% dos votantes se opuseram. A oposição acredita que Noboa deseja usar as crises de segurança como desculpa para retirar direitos sociais consagrados.
Qual é o cenário de segurança pública no Equador?
O Equador tem enfrentado uma crescente crise de segurança, desencadeada por mudanças nas rotas de tráfico de drogas. Entre 2019 e 2024, os homicídios aumentaram em 588%, firmando o Equador como um dos países mais violentos da América Latina. Esse cenário levou Noboa a declarar conflito armado interno, permitindo forças militares na segurança pública e aumentando as tensões políticas.
Três meses após a posse, Noboa se encontra sob contestação, com relatos de violações de direitos humanos elevando a pressão interna denúncias de torturas e prisões arbitrárias.
Com informações da Agência Brasil