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Honduras retoma contagem de votos em meio a ingerência de Trump

No centro das tensões eleitorais em Honduras, onde cada voto parece uma pedra preciosa, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) reiniciou, na última segunda-feira (8), a tumultuada contagem manual dos votos para a presidência. Esta ação veio após uma pausa de

08/12/2025

08/12/2025

No centro das tensões eleitorais em Honduras, onde cada voto parece uma pedra preciosa, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) reiniciou, na última segunda-feira (8), a tumultuada contagem manual dos votos para a presidência. Esta ação veio após uma pausa de três dias, envenenada pela sombra da interferência internacional, com o presidente dos EUA, Donald Trump, expressando seu apoio incondicional a um dos candidatos em jogo, que lidera a disputa por uma estreitíssima vantagem de 19 mil votos.

“Após a realização das ações técnicas necessárias [acompanhadas de uma auditoria externa], os dados estão sendo atualizados na divulgação dos resultados”, informou Ana Paula Hall, presidente do CNE, trazendo um ar de transparência e tentativa de retomada da normalidade no processo eleitoral.

O que está em jogo na eleição de Honduras?

Com a contagem dos votos suspensa, a polêmica desencadeada pelo presidente Trump alcançou uma nova dimensão. Ele acusou, sem provas, o CNE de tentar alterar os resultados e ameaçou em suas redes sociais com sérias consequências caso isso se concretizasse. Em resposta, o partido governista de Honduras, Libre, da presidente Xiomara Castro, pediu a anulação completa do pleito de 30 de novembro, citando a intervenção americana como razão fundamental.

“Condenamos a ingerência e coação do presidente dos EUA, Donald Trump, nas eleições de Honduras. Condenamos o indulto do narcotraficante Juan Orlando Hernández outorgado pelo presidente Trump no marco do processo eleitoral hondurenho”, declarou o partido governista.

O indulto que abalou a eleição

No meio do fervor eleitoral, Trump anunciou um indulto para o ex-presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, que havia sido condenado por narcotráfico. Hernández é um membro proeminente do Partido Nacional, que possui laços estreitos com o candidato apoiado por Trump, Nasry Tito Asfura. Esta ação gerou uma onda de críticas, sob alegações de que perturba ainda mais o cenário político e eleitoral já complexo de Honduras.

O Partido Nacional, ao qual Asfura, ex-prefeito de Tegucigalpa, pertence, é uma força política antiga no país, tendo assegurado a presidência para 13 dos seus membros. E, com as ruas fervendo de mensagens que prometiam consequências para aqueles que não votassem no candidato defendido por Trump, as tensões só aumentaram.

Como é feita a contagem de votos em Honduras?

A contagem dos votos em Honduras é um processo tradicional e manual, com cédulas de papel servindo de prova física da escolha do eleitor. Com 88% das urnas já apuradas, a corrida é liderada por Asfura, com 40,2% dos votos, contra 39,51% de Salvador Nasralla, do Partido Liberal. Esta diferença estreita torna o pleito ainda mais acirrado, e sem um segundo turno, tudo pode mudar a cada novo lote de votos contados.

Rixi Moncada, a candidata do partido governista, segura a terceira posição com 19,28% dos votos, posicionando o pleito como uma disputa histórica, marcada por desigualdade e intensas rivalidades políticas.

As motivações americanas em Honduras

Gustavo Menon, especialista em relações internacionais da Universidade Católica de Brasília, sugere que a participação de Trump nos assuntos de Honduras é sintomática de um esforço mais amplo dos EUA para reafirmar sua influência na América Latina. Diante da crescente presença chinesa na região, o apoio a candidatos alinhados com a política externa de Trump busca proteger e fortalecer essa influência histórica americana.

"Os EUA entendem essa região como de sua histórica influência. E o posicionamento de Trump é para conter o avanço chinês na América Central e, mais do que isso, ter candidatos completamente alinhados à sua política externa, aos valores conservadores, que são parte desse projeto da Casa Branca", explica Menon.

Menon acredita que a administração Trump busca candidatos como Asfura, cuja agenda esteja em sinergia com as políticas mais rígidas de imigração dos EUA, ao contrário das inclinadas às políticas de liberalização promovidas por seus rivais políticos hondurenhos. Esta decisão pode ser um reflexo direto do cenário geopolítico ativo em que os EUA buscam manter sua hegemonia no continente americano.



Com informações da Agência Brasil

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