Um ato polêmico envolvendo a apreensão de um petroleiro venezuelano pelos Estados Unidos abalou as relações internacionais e elevou os preços do petróleo no mercado global. Este evento, ocorrido em águas internacionais, reacende o debate sobre a soberania venezuelana e traz à tona tensões geopolíticas entre os dois países.
Na quarta-feira passada, um navio carregado com cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo venezuelano foi interceptado e detido por forças militares dos EUA. O impacto foi imediato: o valor do petróleo disparou no mercado global, aumentando ainda mais a controvérsia em torno desta apreensão. A ação acendeu um sinal de alerta internacional.
Por que a Venezuela acusa os Estados Unidos de roubo?
“A política de agressão contra nosso país responde a um plano deliberado de saque de nossas riquezas energéticas. Este novo ato criminal se soma ao roubo da Citgo, importante ativo do patrimônio estratégico de todos os venezuelanos”, afirmou uma nota do governo de Nicolas Maduro.
A declaração reflete a indignação da Venezuela, que considera a apreensão um roubo flagrante de suas riquezas. A Citgo, subsidiária da estatal PDVSA nos EUA, já havia sido um ponto de discórdia após sua captura por Washington em 2019.
Quais são as verdadeiras razões das ações americanas?
Caracas denuncia que as motivações dos EUA vão além das justificativas oficiais como a democracia e os direitos humanos. Em uma declaração contundente, o governo Maduro afirma que o verdadeiro interesse é o petróleo e os recursos naturais que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano.
“Não é a migração, não é o narcotráfico, não é a democracia, não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nossa energia, de os recursos que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano”, completa a nota do Palácio de Miraflores.
Quais as consequências internacionais da apreensão do petroleiro?
Delcy Rodriguez, vice-presidente venezuelana, declarou em suas redes sociais que a apreensão constitui um ilícito internacional e prometeu recorrer a todas as instâncias globais para denunciar o que considera um "roubo vulgar".
O próprio presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a apreensão e insinuou que pode se apropriar do navio, alimentando ainda mais as tensões.
“E outras coisas estão acontecendo”, comentou Trump, enquanto emprega pressão militar para buscar uma "troca de regime" no país sul-americano.
Como a ação militar se desenrolou?
Imagens revelaram dois helicópteros se aproximando do navio, com soldados armados vestindo camuflagem, descendo da aeronave para realizar a apreensão. O vídeo de 45 segundos divulgado trouxe à tona a realidade militar da ação.
Quais são os impactos potenciais para a região?
Ronaldo Carmona, especialista em geopolítica, sugere que a apreensão pode ser um prenúncio de bloqueio naval, visando estrangular as finanças da Venezuela. Este tipo de ação, segundo o especialista, poderia arrastar a América do Sul para uma zona de conflito, dado que até então é considerada uma região pacífica.
“Após o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na semana anterior, essa ação contra o petroleiro indica um possível bloqueio naval visando a queda do governo de Caracas. É bastante grave para o Brasil que a ação americana militar esteja trazendo a guerra para uma região de paz como a América do Sul”, afirmou.
O que está em jogo na escalada do cerco militar?
A situação exacerba o cerco militar dos EUA contra a Venezuela há anos, com operações no Caribe sob a bandeira de combate ao narcotráfico, apesar da Venezuela não ser reconhecida como um grande produtor de narcóticos.
Durante a campanha de 2023, Trump afirmou que já cogitou "tomar" todo o petróleo venezuelano, país que possui as maiores reservas comprovadas do mundo. Desde 2017, o embargo econômico dos EUA afeta a economia venezuelana.
Acrescente-se que a nova política de segurança nacional dos EUA reafirma a busca por "proeminência" na América Latina, influenciada por relações estreitas de Caracas com países como China, Rússia e Irã, adversários de Washington.
Com informações da Agência Brasil