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Mundo

Brasil manifesta preocupação com reforma tarifária aprovada no México

Imagine o impacto de uma decisão unilateral que pode afetar significativamente as exportações brasileiras. É exatamente isso que está acontecendo no México, que aprovou uma reforma tarifária prevendo tarifas de até 50% sobre produtos importados de países

12/12/2025

12/12/2025

Imagine o impacto de uma decisão unilateral que pode afetar significativamente as exportações brasileiras. É exatamente isso que está acontecendo no México, que aprovou uma reforma tarifária prevendo tarifas de até 50% sobre produtos importados de países com os quais não possui acordos de livre-comércio, como o Brasil. Quer saber como isso pode mexer com a economia brasileira e a de outros países?

Nesta sexta-feira, dia 12, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços emitiram uma nota conjunta expressando preocupação com as potenciais repercussões desta medida. Eles estão aguardando a publicação do texto definitivo para analisar como as exportações brasileiras poderão ser impactadas.

Por que a medida mexicana é preocupante para o Brasil?

A reforma, aprovada na última quinta-feira, 11, impõe taxas que variam de 5% a 50% sobre cerca de 1.500 produtos de setores considerados estratégicos, como o automotivo, têxtil, plástico, siderúrgico e de eletrodomésticos. E não é só o Brasil que está na lista—China, Índia, Coreia do Sul, Rússia e África do Sul também ficarão sob essa nova régua tarifária, a partir de 1º de janeiro. Embora o setor automotivo brasileiro possa ser menos afetado devido ao acordo de livre comércio setorial com o México, há receios sobre o impacto em outros setores econômicos.

Conforme destacou a nota divulgada pelos governos, as circunstâncias colocam em risco as preferências comerciais estabelecidas, potencialmente condicionando as relações de comércio e investimento entre os dois países. "O Brasil tem mantido contato com autoridades mexicanas para tratar dos possíveis efeitos das mudanças tarifárias", diz a nota.

Como o Brasil pretende responder a essa reforma tarifária?

O governo brasileiro tem insistido na necessidade de um diálogo aberto e estratégico com o México. A ideia é resolver qualquer impasse e garantir a previsibilidade e segurança jurídica necessária para a continuidade da integração econômica. O plano é continuar engajado numa troca construtiva que assegure um ambiente cooperativo para o comércio e investimentos bilaterais.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), até 15% das exportações brasileiras para o México poderiam ser impactadas. Para a entidade, este é um momento crítico que exige uma ampliação do diálogo entre as duas nações.

Uma proposta aprovada sob pressão

A medida foi aprovada em caráter de urgência pelo Senado mexicano, com 76 votos favoráveis, cinco contrários e 35 abstenções. Embora tenha recebido o apoio da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, senadores que se abstiveram levantaram preocupações sobre o processo acelerado e o risco de possível inflação. Em um cenário ainda mais complexo, o México se prepara para revisão de seu acordo de livre comércio com os Estados Unidos e Canadá, prevista para 2026, enquanto enfrenta pressões do presidente norte-americano, Donald Trump.

Mesmo com a afirmação do governo mexicano de que a lei limita-se a países sem amplos acordos comerciais, o Brasil, que mantém entendimentos setoriais, observa atentamente o desenvolvimento dos acontecimentos. Hoje, o México é destino de 2,25% das exportações brasileiras, sendo o sexto maior mercado de exportação de janeiro a novembro de 2025, representando cerca de US$ 7 milhões no período.



Com informações da Agência Brasil

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