Você já ouviu falar sobre o esperado acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia? Pois é, esse assunto tem gerado grandes expectativas, especialmente com a aproximação da assinatura, que pode ocorrer ainda este mês, durante a 67ª Cúpula do Mercosul e Estados Associados. Ainda assim, há algumas preocupações em jogo, principalmente em relação às salvaguardas a serem apresentadas pelo bloco europeu.
Nesta segunda-feira (15), Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE), revelou: "Nossa expectativa é de assinar o acordo no sábado, mas, de fato, as salvaguardas são motivo de preocupação". E enquanto você pondera sobre os desdobramentos desse acordo, vamos entender melhor o que isso envolve.
Como será a participação do Brasil na cúpula?
A cúpula, que ocorrerá no dia 20 em Foz do Iguaçu (PR), contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. E um dia antes, no dia 19, está programada uma reunião prévia entre ministros das áreas econômicas para debater assuntos vitais para o bloco.
Entre os temas abordados, espere ouvir sobre a entrada de novos membros no Mercosul, questões climáticas e a inclusão da Bolívia como Estado Parte. Gisela Padovan adiantou o trabalho intenso do Brasil nesse sentido, ressaltando a importância de verificar os pré-requisitos cumpridos pelo país.
Por que as salvaguardas são tão preocupantes?
O Parlamento Europeu está trabalhando em salvaguardas para proteger seu mercado dos produtos agropecuários do Mercosul, que muitas vezes têm condições de concorrência mais favoráveis. E você, pode imaginar o quão delicada é essa negociação, já que a França, por exemplo, tem se mostrado bastante resistente, principalmente por questões ambientais.
Esse tópico já gerou protestos de agricultores europeus, preocupados com a concorrência das commodities sul-americanas. Do lado brasileiro, também há receios em relação às desculpas para medidas protecionistas que possam surgir.
O que já foi negociado até agora?
Após longos 26 anos de negociações, a União Europeia e o Mercosul chegaram a um consenso sobre o acordo em dezembro passado. Até agora, foram desenvolvidos dois textos: um econômico-comercial de vigência provisória e outro completo. A expectativa é de que esse acordo beneficie um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas com um PIB robusto de US$ 22 trilhões.
A complexidade desse processo exige aprovação por parte do Parlamento Europeu e ratificação por pelo menos 15 dos 27 países da UE, representando pelo menos 65% da população da união. Enquanto isso, o Mercosul também precisa seguir seus protocolos para a implementação desse acordo comercial.
Com informações da Agência Brasil