Em um evento repleto de expectativas em Foz do Iguaçu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o tão aguardado acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul terá de esperar um pouco mais. Originalmente esperado para ser assinado hoje, durante a abertura da Cúpula do Mercosul, o acordo foi adiado para janeiro. Esta reunião marca o término da presidência brasileira do bloco, que agora passará para o Paraguai, sob o comando do presidente Santiago Peña.
O adiamento surpreendeu muitos, considerando que os líderes europeus haviam planejado finalize-lo justamente hoje. No entanto, segundo Lula, o atraso se deu por conta de alguns pontos ainda sendo debatidos na Europa, principalmente no que diz respeito a proteções agrícolas. Este é um momento estratégico, que poderia reafirmar posições importantes no cenário global, mas parece que a espera foi inevitável.
Por que o acordo foi adiado?
Como relatado por Lula, apesar da boa vontade de muitos líderes europeus em finalizar o acordo, há uma resistência significativa vinda de dentro da própria União Europeia. A França, por exemplo, continua temendo perder competitividade no setor agrícola, o que exige novas discussões. Mais diretamente, foi mencionado um problema com o governo italiano, que precisa mais tempo para resolver questões internas relacionadas à distribuição de verbas.
Lula compartilhou que, em uma recente ligação com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, foi reafirmada a intenção de assinar o acordo em janeiro. É uma janela de oportunidade para que ambos os blocos concluam negociações que já se arrastam por mais de duas décadas.
O que está em jogo com o acordo UE-Mercosul?
Este acordo, que vem sendo negociado há 26 anos, envolve um mercado de 722 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 22 trilhões. Quando finalmente assinado, ele configurará um dos maiores tratados de livre comércio do mundo.
Os termos gerais do acordo foram anunciados em 2019, após uma longa jornada de negociações iniciada lá em 1999. A expectativa é que esse tratado abra novas oportunidades de mercado e fortaleça laços entre os continentes.
Quais outras parcerias estão no horizonte do Mercosul?
Durante seu discurso, Lula também destacou os esforços contínuos do Mercosul em expandir acordos comerciais ao redor do globo. Ele mencionou o acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio, a EFTA, e enfatizou a importância de aprofundar relações comerciais com países como Índia, Emirados Árabes Unidos, Canadá e até mesmo Japão e Vietnã.
Além disso, ressaltou a necessidade de fortalecer o comércio regional na América Latina. Com foco no potencial não realizado, Lula defendeu a atualização de acordos com países como Colômbia e Equador, e apontou para novas negociações com o Panamá.
Lula foi taxativo ao afirmar que incrementar o comércio intrarregional é vital, mencionando que este ainda representa apenas 15% do fluxo comercial na América do Sul, em comparação com cerca de 60% na Ásia e Europa.
Com informações da Agência Brasil