A situação na Venezuela está gerando ações e reações pelo Mercosul. Sob a liderança da Argentina, alguns membros do bloco divulgaram um comunicado conjunto pedindo o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos no país. A assinatura do documento ocorreu durante a cúpula realizada em Foz do Iguaçu, sob a presidência do Brasil.
No entanto, figuras chave como o presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, decidiram não endossar o documento. Uma avaliação vinda do Palácio do Planalto sugere que tal declaração pelo Mercosul poderia ser interpretada como apoio a uma possível ação militar norte-americana contra a Venezuela – algo que não interessa ao Brasil, especialmente quando se considera a instabilidade na região.
Por que o Brasil não assinou o comunicado sobre a Venezuela?
A decisão de não assinatura por parte do Brasil foi ponderada. De acordo com as informações, a possibilidade de uma declaração coletiva ser vista como suporte a ações militares dos Estados Unidos foi um fator determinante. Atualmente, os EUA estão envolvidos em atividades militares na região do Caribe e não reconhecem Nicolás Maduro, no poder desde 2013, como o presidente legítimo da Venezuela.
Os Estados Unidos justificam suas ações como medidas contra rotas de narcotráfico, mas para Nicolás Maduro, há um interesse maior pelas riquezas petrolíferas do país. O petróleo é fundamental para a economia venezuelana e a intervenção militar aí pode ser devastadora.

Qual é o teor do comunicado dos membros do Mercosul?
O comunicado oficial, que conta com assinatura de líderes da Argentina, Paraguai, e Panamá, além de autoridades de Bolívia, Equador e Peru, destacou uma "profunda preocupação" com a crise migratória e humanitária na Venezuela. Desde 2017, devido à ruptura da ordem democrática conforme o Protocolo de Ushuaia, a Venezuela foi suspensa do bloco, sendo afirmado no comunicado a necessidade da defesa de valores democráticos.
Entre outras medidas, clamou-se pela libertação dos presos políticos e a retomada da ordem democrática por métodos pacíficos.
Qual foi a posição de Lula na cúpula?
Durante a reunião do Mercosul, Lula expressou preocupação com as possíveis consequências de uma intervenção na Venezuela, denominando-a como potencial "catástrofe humanitária". Ele argumentou que o cenário atual ressurge temores semelhantes aos da Guerra das Malvinas, com grandes potências testando os limites do direito internacional.
Lula também reiterou em discursos a necessidade de negociações pacíficas e dialogadas, afastando a possibilidade de um conflito militar de grandes proporções.
Como outros líderes reagiram às tensões?
Quanto ao presidente argentino, Javier Milei, ele não economizou críticas ao governo venezuelano e pediu apoio às pressões internacionais contra Maduro, posicionando-se favoravelmente às ações dos Estados Unidos.
Ao chamar Nicolás Maduro de "narcoterrorista", Milei afirmou que "o tempo da timidez nesta questão já passou", salientando a necessidade de firmeza contra o autoritarismo no continente.
Com informações da Agência Brasil