A China tomou uma decisão significativa que promete preocupações no setor pecuário global: a imposição de uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem as cotas estabelecidas. Esta medida, que afeta grandes fornecedores como o Brasil, Austrália e Estados Unidos, busca proteger o mercado interno que ainda sente os efeitos do excesso de oferta.
De acordo com o Ministério do Comércio da China, a cota de importação para 2026 está fixada em 2,7 milhões de toneladas. Essa quantidade está quase alinhada com o recorde de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024. As restrições fazem parte de uma estratégia de três anos, a partir de 1º de janeiro, para levantar o setor pecuário chinês.
Por que a China está aumentando as tarifas sobre a carne bovina?
Imagine ser um produtor local lutando contra uma enxurrada de carne importada inundando o mercado. Essa tem sido a realidade para os pecuaristas chineses. "O aumento na quantidade de carne bovina importada prejudicou seriamente a indústria doméstica da China", afirmou o ministério em seu comunicado. Com a cota agora definida, Pequim espera que o mercado interno consiga recuperar parte do fôlego.
Como isso afeta os principais fornecedores de carne?
No contexto global, a China representa um dos mercados mais valiosos para a carne bovina. Por exemplo, só em 2024, o Brasil exportou 1,34 milhão de toneladas para o país asiático, enquanto a Austrália e os EUA lutavam por fatias do mercado. Porém, com as novas regras, espera-se uma queda nas importações, como prevê o analista Hongzhi Xu: "A criação de gado bovino da China não é competitiva em comparação com países como o Brasil e a Argentina."
A estratégia da China contra a escassez global de carne
A decisão chega em um momento sensível, em que a escassez global de carne bovina eleva os preços em diversos países, inclusive nos EUA. Essa medida, portanto, não só protege o mercado doméstico, como também coloca a China numa posição estratégica no cenário internacional. Segundo Zengyong Zhu, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas, "as tarifas ajudarão a conter o declínio no estoque de vacas reprodutoras da China e darão tempo para ajustes".
Em um mercado desafiador, essa movimentação da China pode ser vista como uma jogada para equilibrar a oferta interna e proteger sua cadeia de produção, enquanto outros países podem buscar alternativas para seus produtos, como comentou Mark Thomas da Western Beef Association: "Há muitos outros países que aceitarão nosso produto."
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Com informações da Agência Brasil