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Mundo

América Latina está à mercê da intervenção dos EUA, dizem analistas

A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, culminando no rapto do presidente Nicolás Maduro, gera preocupações iminentes para os países da América Latina. Você, que acompanha as notícias internacionais, deve ter percepções variadas sobre o tema. Afin

03/01/2026

03/01/2026

imagem representando a tensão política na Venezuela

A ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, culminando no rapto do presidente Nicolás Maduro, gera preocupações iminentes para os países da América Latina. Você, que acompanha as notícias internacionais, deve ter percepções variadas sobre o tema. Afinal, quais as implicações de tal atitude, do ponto de vista das normas internacionais e da soberania dos países dessa região? Acompanhe a análise para entender o contexto e as possíveis consequências desse acontecimento.

Especialistas consultados pela Agência Brasil alertam que a decisão do presidente Donald Trump representa uma séria violação das normas internacionais. Ao agir dessa forma, Trump ignora completamente a Carta das Nações Unidas e ataca a integridade de um país independente, feria o direito à autodeterminação dos povos.

Por que a soberania dos estados está em risco?

Williams Gonçalves, professor aposentado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), opina que esta atitude de desrespeitar a soberania nacional coloca todos os países da América Latina sob o controle volúvel dos interesses americanos. Ele destaca: “Todo o nosso subcontinente está, portanto, entregue à vontade, ao arbítrio do senhor Donald Trump”.

Segundo Gonçalves, a aparente aceitação de alguns países, como a Argentina sob o governo de Javier Milei, é “uma traição à luta pela independência”. Ele menciona também que grupos políticos dentro do Brasil que apoiam tais atitudes acabam por comprometer a autonomia nacional. Para ele, saudar essa intervenção é um convite aberto para agressões futuras. “Trump utiliza uma retórica típica do imperialismo e do colonialismo do século 19”, complementa.

Como a intervenção pode afetar outros países latino-americanos?

O professor Antonio Jorge Ramalho da Rocha, da Universidade de Brasília (UnB), alerta sobre a imprevisibilidade e os riscos desse tipo de ação: “O compromisso de Trump com o direito internacional é nenhum. Ele entende as relações internacionais pautadas pela força e pelo interesse de curto prazo”. Rocha acredita que, ao fomentar divisões internas, os Estados Unidos criam brechas para suas estratégias. A ação poderia vir a ser replicada, tornando Colômbia, Brasil e Peru potenciais alvos.

Rocha conclui que “a intervenção estabelece a possibilidade de uma invasão para interferir em qualquer governo soberano da região”. E completa: "Se está acontecendo agora com a Venezuela, poderá acontecer amanhã com outros países".

Quais são os possíveis impactos a curto e longo prazo?

A emergência já mobilizou tropas na Colômbia e deverá gerar respostas similares do Brasil, aponta Rocha. As consequências podem ser mais sérias caso os Estados Unidos decidam por uma ocupação militar. Ele encara essa possibilidade como um "pesadelo", muitas vezes comparado à situação do Vietnã.

Embora a situação interna da Venezuela, marcada por divisões e um governo impopular, não seja ideal, Rocha defende que o país ainda é soberano e deve ser protegido das violações normativas internacionais. Ele também enfatiza a importância de um multilateralismo fortalecendo e uma atuação mais vigorosa da ONU para evitar tais situações no futuro.

Com esses pontos, fica claro que a situação venezuelana tem implicações não só locais, mas regionais, podendo moldar o futuro político da América Latina.



Com informações da Agência Brasil

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