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Mundo

Reunião da OEA sobre Venezuela expõe divisão política no continente

Nesta terça-feira, as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, geraram uma divisão entre os países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião extraordinár

06/01/2026

06/01/2026

Nesta terça-feira, as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, geraram uma divisão entre os países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA). A reunião extraordinária do Conselho Permanente expôs a polarização política que marca o continente. Foi um encontro que, embora tenha agitado debates, não resultou em negociações formais, publicação de documentos ou tomadas de decisão. Cada nação expressou seus posicionamentos de forma individual.

A tensão estava no ar. Governos de países como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, aliaram-se aos Estados Unidos, apoiando a intervenção militar em Caracas. Este apoio se evidenciou quando o embaixador argentino Carlos Bernardo Cherniak afirmou que "a determinação dos Estados Unidos representa um avanço decisivo contra o narcoterrorismo na região". Em um tom similar, a embaixadora do Equador, Mónica Palencia, destacou a necessidade de ações concretas para ajudar as vítimas da "ditadura" na Venezuela.

Qual foi a posição dos países contrários?

Por outro lado, Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se opuseram à ação estadunidense. Argumentaram em defesa da soberania nacional e propuseram a busca por soluções diplomáticas e multilaterais para enfrentar a crise venezuelana. O embaixador brasileiro Benoni Belli declarou que "os bombardeios e o sequestro de Maduro são uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela". Enquanto isso, o embaixador mexicano Alejandro Encinas falou sobre a necessidade de uma reflexão pautada pelo direito internacional, em defesa da democracia, paz e estabilidade na região.

Por que a Venezuela ficou sem voz na reunião?

Na OEA, a Venezuela, apesar de ainda constar como membro oficial, não teve direito a uma manifestação oficial. Este silêncio contrasta com a situação na ONU, onde o país mantém algum nível de participação. A relação com a OEA vem se deteriorando na última década. Em 2017, o governo de Maduro anunciou o processo de saída da organização, em resposta às acusações de ditadura e ruptura democrática feitas por outros países-membros. Desde então, a Venezuela mantém um status de limbo institucional dentro da OEA.

Após as controversas eleições presidenciais de 2018, a OEA deixou de reconhecer o mandato de Maduro, e passou a aceitar um representante indicado por Juan Guaidó. Contudo, com o enfraquecimento da oposição, nenhum novo representante foi oficialmente designado.

Que papel desempenha a China na disputa regional?

Além das divisões no continente, a reunião destacou a disputa de influência entre Estados Unidos e China na região. O embaixador norte-americano Leandro Rizzuto apontou Pequim como um dos adversários no controle dos recursos naturais da Venezuela. Em uma declaração firme, ele afirmou que não permitiria que a Venezuela se transformasse em um polo de operações para rivais globais, se referindo a nações como Irã, Rússia e China.

Essas acusações foram prontamente rebatidas pela representante chinesa, que as considerou "injustificadas e falsas". Ela enfatizou que a cooperação entre China e Venezuela se baseia no respeito ao direito internacional e soberania dos Estados. Assim, projetou a imagem de que a intervenção americana na Venezuela é uma ameaça à paz e segurança regional.



Com informações da Agência Brasil

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