Imaginar a necessidade de deixar seu país para trás não é nada fácil. Mas para muitos venezuelanos, essa se tornou uma realidade quase inevitável. Desde que Benjamin Mast desembarcou no Brasil em 2016, muito mudou. Naquela época, a crise econômica na Venezuela já empurrava muitos a buscarem novas oportunidades. Há seis anos, Benjamin, um produtor audiovisual, decidiu se estabelecer em Roraima em busca de algo que as realidades restringiam em sua terra natal: esperança e crescimento profissional.
Ele, sua esposa e a filha de um ano agora moram no Brasil, onde Benjamin comanda uma produtora de audiovisual. Mesmo já tendo trabalhado no Brasil antes de sua mudança, a presença crescente de compatriotas venezuelanos em busca de auxílio não diminuía sua dor ao ver seu país caminhar para um estado de crise sem precedentes.
Como a migração impactou Benjamin no Brasil?
Os primeiros passos de Benjamin no Brasil foram dados em 2014, quando ele começou a ter oportunidades de trabalho aqui devido à crise em sua terra natal que já se destacava. Ele descreveu esse movimento para o Brasil como "um processo bem tranquilo", muito diferente do fluxo migratório em massa que emergiu em 2017.
Embora Benjamin encontrasse cada vez mais portas abertas por aqui, a turbulência política na Venezuela nunca esteve muito distante de seu coração. Para ele, a intervenção de grandes potências, como os Estados Unidos, ameaça apenas transformar seu país em uma "colônia".
O impacto pessoal do caos político na Venezuela
O conflito em seu país natal tem sido um tema delicado. Benjamin expressa dor em ver o país onde cresceu ser "bombardeado" por disputas políticas, dizendo que "há uma questão dividida com essa crise que o Maduro causou". As implicações dessas disputas vão além da política e invadem a esfera emocional.
Secundado por vozes críticas como a de Livia Esmeralda Vargas González, uma professora estabelecida no Brasil, a visão sobre a atual situação venezuelana percebe-se carregada de uma sensação de colonização iminente e intervenções indesejadas. Como Livia comentou, há "uma dor que nem consigo nomear o nível", reforçada pelo carinho íntimo mantido por um país sob cerco.
O cotidiano entre culturas: a experiência de Maria Elias
Maria Elias, que, em meio à crise arrasadora, também encontrou no Brasil um refúgio em 2015, ilustra uma perspectiva diferenciada da adaptação. Ao chegar, Maria Elias, então técnica de informática, viu-se às voltas com a língua e a cultura brasileiras.
Foi a culinária, uma ponte cultural com suas raízes libanesas, que provou ser sua salvação. Junto ao marido, Maria deu vida a um menu que unia a tradição árabe ao gosto brasileiro, revelando que o sabor também pode servir de consolo em tempos de mudança.
Qual é o futuro para venezuelanos como Benjamin?
Para brasileiros e venezuelanos, a questão da crise venezuelana transcende as fronteiras. A busca por estabilidade para aqueles como Benjamin é contínua. "Tenho muito medo desse vazio de poder e de virar uma colônia", desabafa, ressaltando ainda o papel que ápices econômicos internacionais podem ter nessa storyline de quase tragédia venezuelana.
Embora muitos, como Maria, vejam uma saída com o afastamento de Maduro, as incertezas continuam, com a divisão política transformando o futuro em um território desconhecido. Mas como ela mesma diz, "O que interessa é a Venezuela renascer e voltar a ser produtiva como sempre foi". Para outros, como Benjamin, há, ainda, um caminho incerto pela frente, onde os ventos políticos podem mudar a qualquer momento.
Com informações da Agência Brasil