Recentemente, a decisão dos Estados Unidos de se retirar de diversas organizações multilaterais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Fundo Verde do Clima (GCF), trouxe implicações significativas. A medida impacta globalmente, mas paradoxalmente, os próprios estadunidenses poderão sentir efeitos mais profundos.
Nessa linha, Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, destacou o impacto dessas decisões do governo Trump, que também incluem a saída do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ele enfatizou que essa atitude equivale a um "gol contra monumental" para os Estados Unidos, afetando a economia e a segurança nacional em um cenário onde eventos climáticos severos estão em ascensão.
Quais são os reflexos da retirada do Acordo de Paris?
Os Estados Unidos desempenharam um papel crucial na origem tanto da UNFCCC quanto do Acordo de Paris, conquistas vitais para os interesses nacionais. A saída dessas alianças não só relega os EUA a um papel secundário na liderança ambiental global, como também pode fragilizar a economia americana frente a fenômenos climáticos extremos como incêndios florestais, enchentes e tempestades.
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Qual o impacto econômico dessa decisão?
Segundo Stiell, os efeitos práticos dessa retirada significam um aumento nos custos de energia, alimentos e transportes para as famílias americanas, decorrente da comparação entre fontes renováveis mais baratas e combustíveis fósseis tradicionais. Além disso, eventos climáticos adversos devem prejudicar a infraestrutura e a produção agrícola, agravando instabilidades econômicas e regionais.
Como as organizações não governamentais reagem a essa decisão?
O Instituto Talanoa, uma ONG brasileira, complementa essa análise afirmando que a decisão dos EUA enfraquece sua credibilidade internacional. Contudo, o impacto na governança climática global dependerá da capacidade de outras nações assumirem liderança. "A reação coletiva precisa ser rápida para evitar um colapso", destacou Natalie Unterstell, presidente do Instituto.
Qual a posição do governo norte-americano sobre o Fundo Verde do Clima?
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, justificou a saída do GCF sob a alegação de que o fundo possui uma agenda radical que vai contra os interesses de crescimento econômico fundamentados no uso de energia acessível e confiável. O governo Trump, portanto, alega priorizar energia a preços acessíveis como meio de fomentar o crescimento econômico.
Apesar das justificativas, a saída dos EUA de iniciativas e organizações dedicadas à ação climática parece indicar um distanciamento de políticas globais coordenadas, afetando não apenas sua posição internacional, mas também suas próprias condições socioeconômicas internas em um mundo cada vez mais vulnerável às mudanças climáticas.
Com informações da Agência Brasil