Há um suspiro de alívio no ar para muitos que aguardam há décadas a conclusão de um acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, se alegra com essa possível resolução, enquanto setores empresariais já começam a festejar as negociações que se arrastam há longos 25 anos. Essas discussões se mostram como um divisor de águas na política comercial europeia, sinalizando não só a tentativa da União Europeia de reafirmar sua soberania estratégica, mas também sua determinação em se manter relevante no cenário econômico global.
“O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação”, afirmou Merz em uma postagem em sua rede social X. Ele destacou a importância e urgência em agilizar processos, algo que ecoa por toda Europa: “Isso é bom para a Alemanha e para a Europa, mas 25 anos de negociações foram muito longos – precisamos avançar mais rápido.”
Por que a Áustria está satisfeita mesmo não querendo?
A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, expressou publicamente sua satisfação com a notícia, mesmo diante do fato de seu país ter sido contra a iniciativa. Nas redes sociais, Beate compartilhou sua empolgação e ressaltou a importância econômica que o acordo traria para seu país: “Estou emocionada! Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE para [a assinatura] do acordo com o Mercosul”, declarou ela na rede social. Apesar dos dissabores políticos, a ministra reforçou a necessidade da Áustria fortalecer suas relações comerciais globais, começando pela Índia.
Se o não ao acordo fosse mais eloquente?
Enquanto a Polônia, sob a liderança de seu ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Stefan Krajewski, se posiciona contra a assinatura do acordo, outros países como França, Hungria e Irlanda também manifestaram suas objeções. Krajewski lamentou a ausência de apoio italiano que poderia ter bloqueado o avanço do acordo, alegando que suas consequências impactarão a todos. “Infelizmente, as consequências desta decisão afetarão todos nós,” ele observou, destacando as medidas preventivas que seu governo está preparando para proteger seus agricultores.
Qual o impacto na indústria automotiva?
O setor automotivo europeu vê com bons olhos a possível ratificação do acordo UE-Mercosul. A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (Acea) destaca o momento marcante para a economia europeia, enfatizando as perspectivas positivas, como a redução significativa de tarifas sobre automóveis fabricados na UE e a superação de barreiras comerciais. “A Acea insta agora os tomadores de decisões políticas do Parlamento Europeu a ratificar rapidamente o acordo”, declara a associação, sublinhando o potencial fortalecimento das cadeias de abastecimento.
O que realmente falta para o acordo se concretizar?
Segundo informações da agência de notícias Reuters, os embaixadores dos 27 Estados-membros da UE indicaram suas posições na reunião desta sexta-feira. Agora, resta confirmar formalmente seus votos. Ao menos 15 países, que representam 65% da população da UE, votaram a favor. Caso o resultado seja positivo, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deverá ir ao Paraguai na próxima semana para selar o pacto. A última palavra cabe ao Parlamento Europeu, que precisa dar o aval final para que o acordo entre em vigor.
Com informações da Agência Brasil