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Ação de Trump nas Américas favorece Putin na Ucrânia, diz historiador

A incursão americana na Venezuela e as provocações de Donald Trump a várias nações estão no centro de um cenário geopolítico cada vez mais complexo. Segundo o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, essas ações incentivam a Rússia a intensificar s

09/01/2026

09/01/2026

A incursão americana na Venezuela e as provocações de Donald Trump a várias nações estão no centro de um cenário geopolítico cada vez mais complexo. Segundo o historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva, essas ações incentivam a Rússia a intensificar suas ofensivas na Ucrânia, num momento em que os EUA se concentram em questões dentro de seu hemisfério.

As escolhas estratégicas de Trump, como o desejo de controlar a Groenlândia e possíveis incursões militares no México, são vistas pelo historiador como parte de um movimento maior para reorganizar a influência dos EUA no mundo. A Rússia, por sua vez, parece estar utilizando este período para resolver o que considera suas questões domésticas, com destaque para a Ucrânia.

O que está em jogo com o ataque russo à Ucrânia?

Na última noite, a Ucrânia enfrentou um ataque massivo da Rússia, utilizando drones e o míssil hipersônico Oreshnik. Este projétil pode atingir uma velocidade dez vezes maior que a do som, tornando-se indetectável por muitos sistemas de defesa atuais. Este é apenas o segundo uso dessa arma pela Rússia em seu conflito com a Ucrânia.

O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comenta que estamos testemunhando o nascimento de uma nova ordem mundial, onde cada país busca seus próprios interesses, muitas vezes à revelia do consenso internacional.

Ação de Trump nas Américas favorece Putin na Ucrânia, diz historiador
EUA se empoderaram após ataque militar à Venezuela, diz historiador Francisco Carlos Teixeira da Silva.- Foto: Reuters/Proibida reprodução

"A postura agressiva de Trump, especialmente em relação à Groenlândia, está colocando a Europa em uma posição extremamente delicada. Com a Rússia utilizando armas tão sofisticadas quanto o míssil Oreshnik, os líderes europeus precisarão reavaliar suas estratégias", argumenta o analista militar Robinson Farinazzo.

Quais os riscos para a Europa e a Otan?

A atual situação geopolítica é especialmente complicada para a Europa. Além de enfrentar o poderio russo, as intenções dos EUA na Groenlândia podem desestabilizar ainda mais a região. Segundo Robinson Farinazzo, a Otan enfrenta o desafio de lidar com um míssil russo que não pode ser interceptado, ao mesmo tempo em que as ameaças de Trump ainda pairam.

"Se o Trump tomar a Groenlândia desconsiderando a opinião europeia, a coesão da Otan pode estar em risco. As divergências significativas, como as ambições da Turquia no Oriente Médio que se chocam com políticas de outros membros, já dividem a aliança", explica Farinazzo.

Ação de Trump nas Américas favorece Putin na Ucrânia, diz historiador
Volodymyr Zelensky, presidente ucraniano - Foto: Reuters/Proibida reprodução

O professor Francisco Carlos Teixeira da Silva defende que o uso do míssil hipersônico é uma mensagem clara de Putin à Europa, que, segundo ele, dificulta as negociações para um cessar-fogo na Ucrânia e estaria envolvida em ações contra a Rússia.

Como o campo de batalha está moldando o futuro da Ucrânia?

A posição da Ucrânia no conflito é crítica. Cerca de 25% do território ucraniano está sob controle russo, e as forças de Moscou continuam avançando. Estratégias agressivas como o domínio do Corredor de Odessa, vital para a exportação de grãos ucranianos, têm enfraquecido Kiev.

"Vitórias russas muitas vezes passam despercebidas nas notícias, pois grandes agências de imprensa, como as dos EUA, França e Alemanha, preferem focar em outros aspectos do conflito", observa o professor.

Apesar da situação alarmante, a Rússia enfrenta dificuldades em alcançar vitórias rápidas no território. "Moscou busca desgastar o exército ucraniano numa guerra prolongada. Esse tipo de conflito ainda pode perdurar bastante", reflete Robinson Farinazzo.



Com informações da Agência Brasil

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