Nos Estados Unidos, o Serviço de Imigração e Alfândega, conhecido como ICE, está no olho do furacão após mais de mil protestos tomarem as ruas do país. O motivo? A morte da americana Renee Nicole Good, baleada no último dia 7 de janeiro por agentes do ICE, levou a uma série de manifestações e levantou debates sobre as ações da agência.
Com uma história que remonta à sua criação em março de 2003, o ICE surgiu como parte da política de segurança dos EUA, especialmente após a invasão do Iraque, com a missão de controlar a imigração ilegal. No entanto, os métodos da agência, sobretudo durante a administração de Donald Trump, vêm sendo cada vez mais questionados por diversas entidades e pela sociedade civil.
O que faz do ICE uma agência tão controversa?
O ICE cresceu substancialmente em termos de orçamento e efetivo durante o governo Trump. Com um orçamento anual que triplicou, atingindo US$ 29,9 bilhões segundo o Conselho Americano de Imigração, a agência foi além, contratando 12 mil agentes adicionais, um aumento de 120% no efetivo. Essa estrutura garantiu ao ICE poder para aplicar uma das principais promessas de Trump: deportar, em média, 1 milhão de imigrantes sem documentos por ano.
Agressividade ou eficiência? Os métodos do ICE sob a lupa
O que está gerando inquietação não são apenas os números, mas os métodos empregados. As abordagens têm sido classificadas como agressivas, principalmente em comunidades não brancas. Casos de deportações sem um devido processo legal e operações realizadas com carros sem identificação e agentes mascarados vêm aumentando as denúncias. Segundo o Pew Research Center, existem cerca de 14 milhões de pessoas em situação irregular nos EUA, e a pressão para prender e deportar essas pessoas vem se intensificando.
Sociedade em alerta: como os americanos estão reagindo?
O impacto das ações do ICE na sociedade estadunidense tem gerado uma onda de solidariedade e protestos sem precedentes. James N. Green, presidente do Washington Brazil Office, destaca o aumento do apoio entre diferentes comunidades que se mobilizam para proteger os imigrantes. A reação do ICE às críticas é defender que suas operações visam deportar os "piores imigrantes ilegais criminosos" e lamentam o que chamam de interferência por parte dos manifestantes.
As implicações políticas e críticas à atuação do ICE
As ações do ICE sob Trump despertaram críticas de várias frentes, como políticos democratas e organizações de direitos humanos. Francisco Carlos Teixeira da Silva, historiador da UFRJ, compara o ICE a "uma polícia política", reminiscente de regimes autoritários. A ONG Represent Us alerta para a falta de controle e transparência em comparação com outras agências federais.
Em uma análise política mais ampla, Fábio de Sá e Silva, cientista político, aponta para a leniência das instituições americanas perante as práticas do ICE. Mesmo a Suprema Corte, segundo ele, legitimou abordagens com bases controversas, como estereótipos linguísticos e aparência.
Com informações da Agência Brasil