Em um gesto que busca aliviar as tensões políticas na Venezuela, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, anunciou que 400 pessoas, consideradas presas políticas pela oposição, foram libertadas desde dezembro de 2024. No entanto, esse tema gera polêmica: grupos de monitoramento de direitos humanos questionam o número divulgado pelo governo e pedem transparência na publicação dos nomes dos libertados.
O cenário político do país está em um momento delicado após uma intervenção militar dos Estados Unidos, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. Frente a esse contexto, a libertação de presos teria o objetivo de promover a unidade e a convivência pacífica.
Quais são as verdadeiras intenções por trás das libertações?
Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, destacou que a decisão de libertar "certos presos" partiu de um ato deliberado do governo bolivariano. Ele enfatizou que indivíduos foram presos não por serem opositores políticos, mas por incitarem agressões contra a nação.
Rodríguez assegurou que o governo pretende promover a convivência pacífica e iniciou um processo massivo de libertação. Em 23 de dezembro de 2024, 160 pessoas já haviam sido soltas, segundo ele, prometendo que a lista completa dos nomes seria divulgada em breve.
"E continuarão a acontecer [as libertações], não porque vocês nos peçam, mas porque o governo bolivariano já o havia anunciado como um gesto unilateral do governo", completou Jorge.
Os números realmente correspondem à realidade?
Entidades como o Foro Penal discordam abertamente das cifras oficiais. Esta ONG calcula que somente 116 pessoas foram soltas, longe dos 400 anunciados. O presidente do Foro Penal, Alfredo Romero, ressaltou a falta de transparência nos processos e questionou a inclusão de pessoas que supostamente não seriam presas políticas.
Em outra frente, o Observatório Venezuelano de Prisioneiros confirmou apenas 80 liberações até a manhã do dia 14, entre venezuelanos e estrangeiros. A organização criticou as libertações esporádicas e a opacidade do governo, destacando como a falta de clareza afeta as famílias dos detentos.
A imagem no
retrata bem o drama: famílias aguardam, noite após noite, a liberação de seus entes queridos.
A questão dos presos políticos na Venezuela terá um desfecho?
O deputado oposicionista Luís Florido, que se manifestou após anúncios do governo, aguarda ansiosamente por detalhes e confirmações. Segundo ele, "esperamos que possam nos fornecer essa informação para que possamos verificar os nomes daqueles que já foram liberados". Para Florido, a verificação de cada nome é essencial para garantir que ainda existam muitas pessoas não libertadas.
Em meio às incertezas, a libertação do ex-candidato presidencial Enrique Márquez, acusado de tentativa de golpe de Estado em 2024, destaca-se como um marco significativo dessa nova fase política.
Resta saber como essas medidas impactarão a estabilidade do país e se realmente contribuirão para a reaproximação entre facções políticas enquanto as sombras de intervenções externas continuam a pairar sobre a Venezuela.
Com informações da Agência Brasil