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Mundo

Entenda como sanção dos EUA fragiliza economias como a do Irã

Nos últimos meses, as sanções econômicas contra países como Irã e Venezuela estiveram no centro das atenções, coincidindo com ações militares dos Estados Unidos. Tais sanções, aplicadas pela Casa Branca, são vistas como uma estratégia poderosa de política

18/01/2026

18/01/2026

Nos últimos meses, as sanções econômicas contra países como Irã e Venezuela estiveram no centro das atenções, coincidindo com ações militares dos Estados Unidos. Tais sanções, aplicadas pela Casa Branca, são vistas como uma estratégia poderosa de política externa para pressionar ou até derrubar governos indesejados. Apesar de serem uma alternativa não bélica, as consequências sobre as populações alvejadas são severas.

O Irã, por exemplo, enfrenta restrições econômicas significativas, em grande parte devido ao seu controverso programa nuclear, que já foi alvo de sanções aprovadas pela ONU. Esses embargos internacionais, somados à desvalorização brutal da moeda iraniana e a uma inflação galopante, alimentaram protestos e agitações nas ruas do país. Mas, como exatamente essas sanções impactam a vida cotidiana dos iranianos?

Por que as sanções ao Irã são tão severas?

A economista Juliane Furno, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ressalta que o Irã enfrenta um bloqueio que limita drasticamente a entrada de dólares no país. As sanções, reforçadas após a breve guerra de 12 dias com Israel, não apenas impedem transações financeiras e bloqueiam ativos, mas também complicam o comércio com os EUA e punem empresas por investimentos no setor energético iraniano.

Essa situação é ainda mais agravada por um bloqueio que começou em 1979, logo após a Revolução Iraniana. Com isso, a moeda iraniana, o rial, vem sofrendo uma desvalorização contínua, elevando a inflação e comprometendo o poder de compra da população.

Entenda como sanção dos EUA fragiliza economias como a do Irã

A dependência do Irã nas exportações de petróleo ainda é um ponto crucial. Mesmo sendo um dos maiores produtores de hidrocarbonetos do mundo, o bloqueio ao setor energético impacta suas receitas, como evidenciado em documentos do Congresso norte-americano.

Como as sanções afetam o setor de petróleo?

Alena Douhan, relatora especial da ONU, destacou, em seu relatório, que as sanções contra o Irã afetam diretamente seu setor energético, que constitui a maior parte do orçamento fiscal do governo. Mesmo com a suspensão parcial das sanções em 2015, que elevou as exportações de petróleo, a reimposição em 2019 levou a uma queda acentuada nos volumes exportados.

Essa dinâmica não só reduz receitas estatais mas também aumenta a pobreza e acentua desigualdades socioeconômicas, com Douhan clamando por um alívio das sanções devido aos seus efeitos devastadores sobre os direitos humanos.

A inflação no Irã: qual o impacto na vida dos cidadãos?

Entenda como sanção dos EUA fragiliza economias como a do Irã

Douhan também relata que a pressão inflacionária no Irã flutua conforme as sanções são impostas ou relaxadas. Após uma relativa estabilidade, a inflação disparou pós-2018, atingindo níveis devastadores para a economia doméstica. Os alimentos dobraram de preço e a classe média iraniana encolheu consideravelmente.

Um estudo da Revista Europeia de Economia Política sustenta que as sanções reduziram significativamente o tamanho da classe média no Irã. Entretanto, essas consequências não se limitam aos indicadores econômicos, mas também atingem setores cruciais como a saúde.

Como as sanções afetam a saúde pública no Irã?

A pesquisa publicada na renomada The Lancet revela que as sanções interromperam as importações de medicamentos essenciais, com aumentos de até 300% em algumas categorias, como antiepilépticos. O sistema de saúde iraniano vê-se em dificuldade para fornecer tratamentos adequados, deixando milhões sem acesso a medicamentos essenciais.

Qual o posicionamento dos Estados Unidos e da ONU sobre as sanções?

Os Estados Unidos justificam as sanções como uma reprimenda às violações de direitos humanos cometidas pelo governo iraniano, vinculando-as ao apoio ao terrorismo. Já a ONU impõe sanções com a intenção de desmantelar o programa nuclear do Irã, que alega ser pacífico.

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No entanto, críticos como o cientista político Bruno Lima Rocha enxergam essas justificativas como manobras políticas, com o verdadeiro objetivo de enfraquecer um regime adversário aos interesses ocidentais no Oriente Médio. Ele argumenta que o Irã não ameaça a estabilidade nuclear regional tanto quanto a política excludente que perpetua o cenário de rivalidades na área.

Impactos globais das sanções: quais as consequências?

Estudos reforçam que os efeitos das sanções podem ser tão nocivos quanto conflitos armados tradicionais.

Artigos da The Lancet Global Health associam sanções unilaterais a uma taxa de mortalidade anual comparável à de guerras, enquanto pesquisas na revista Estudos de Desenvolvimento apontam que tais medidas reduzem significativamente a expectativa de vida e afetam desproporcionalmente as mulheres, intensificando questões de saúde pública e desigualdade.



Com informações da Agência Brasil

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