Você sabia que o Parlamento Europeu decidiu dar uma pausa no tão discutido acordo comercial com o Mercosul? Na última quarta-feira, dia 21, os legisladores surpreenderam ao votar, por uma diferença de apenas 10 votos, pelo envio do tratado para a análise do Tribunal de Justiça da União Europeia. Esse movimento, que veio pouco depois da assinatura oficial do pacto, coloca o futuro de 32 países em suspense.
Mas o que está por trás dessa decisão apertada, com 334 votos a favor e 324 contra? O Parlamento quer que o Tribunal determine a legalidade do acordo, especialmente focando na divisão do tratado em dois textos e nas diferenças normativas entre as partes. Isso pode levar até dois anos. Interessante, não? Vamos explorar por que alguns países resistem tanto e o que isso significa para todos os envolvidos.
Por que alguns países são contra o acordo?
Você deve estar se perguntando por que países como França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda se posicionam contra a ratificação deste acordo. Segundo Roberto Menezes, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, a oposição já era prevista, especialmente após declarações do presidente francês Emmanuel Macron. Ele conseguiu angariar apoio contrário de outras nações.
“A decisão já era de certa forma esperada, quando o Emmanuel Macron, enfim, reiterou a sua oposição à assinatura do acordo. Ele também mobilizou parte dos outros países que votaram contra o acordo. Por outro lado, o Brasil, o presidente Lula, está acelerando o processo para enviar ao Congresso, da parte do Mercosul ficar em dia e aí deixar a bola com a União Europeia”.
O que Alemanha e Espanha vêem de vantajoso no pacto?
Em contraste, defensores do arranjo, como Alemanha e Espanha, argumentam que a parceria é vital. Para eles, o Mercosul representa uma oportunidade estratégica para garantir o acesso a minerais raros, reduzir a dependência da China e enfrentar as tensões tarifárias provocadas pelos Estados Unidos. O professor Roberto Menezes confirma essa visão.
“Diante dessa ofensiva comercial dos Estados Unidos, a Europa também precisa preservar certos mercados e não há dúvida que o acordo segue sendo muito assimétrico e completamente favorável à Europa. A Europa portanto tá com a faca e o queijo na mão. Se ela deixar passar essa oportunidade, o Mercosul vai seguir acordo com o Canadá, vai buscar acordo com outros países.”
Quais seriam os impactos econômicos para o Brasil?
E o que isso tem a ver com o Brasil? A ApexBrasil, responsável pela promoção das exportações e investimentos brasileiros, estima que a implementação do acordo poderia aumentar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões. Seria um salto significativo para a diversificação das vendas internacionais e um grande benefício para a indústria nacional.
O pacto também amplia oportunidades para a União Europeia exportar mais veículos, máquinas, vinhos e licores para a América Latina, enquanto facilita as exportações sul-americanas de carne bovina, açúcar, arroz, mel e soja para a Europa.
Agora, enquanto a Justiça Europeia ainda não dá o veredito, o acordo, que levou incríveis 26 anos para ser negociado, continua no limbo. Qual será o próximo capítulo dessa saga comercial?
Com informações da Agência Brasil