Em um recente telefonema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês Xi Jinping declarou seu apoio à maior economia da América Latina e ao Sul Global, ao mesmo tempo em que reforçou a importância de manter o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) no cenário internacional.
A agência de notícias chinesa Xinhua divulgou essa conversa na madrugada desta sexta-feira (23), logo após o presidente Lula criticar a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela em um artigo no New York Times. Esta situação acentuou as tensões internacionais e suscitou discussões sobre a soberania dos países.
Como a China e o Brasil estão agindo no cenário internacional?
Segundo a Xinhua, Xi Jinping destacou a necessidade de China e Brasil defenderem os interesses comuns do Sul Global, assegurando uma atuação conjunta sob a égide das Nações Unidas, principalmente diante da situação internacional atual, marcada por turbulências.
Quais foram as repercussões da ação americana na Venezuela?
O recente movimento dos EUA na Venezuela, que culminou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro sob acusações de tráfico de drogas, gerou incertezas políticas na região. Os países da América Latina estão preocupados com a possibilidade de intervenções militares semelhantes em seus territórios, o que levou a críticas da ONU.
Em entrevista à BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, expressou preocupação, afirmando que os princípios da igualdade entre Estados-membros estavam ameaçados.
Como líderes mundiais estão reagindo?
Em um contundente artigo no New York Times, Lula ressaltou que o destino da Venezuela – bem como de qualquer outro país – deve ser decidido por seu próprio povo, além de alertar que um mundo governado pelo medo e pela coerção não é sustentável.
"É importante que líderes das grandes potências compreendam que hostilidade permanente não é uma via viável", frisou Lula, lembrando que a América do Sul sofre pela primeira vez um ataque militar direto dos EUA em mais de 200 anos de história.
Quais são as implicações para a Groenlândia?
Em paralelo, as tensões aumentam também no Ártico, com ameaças de uso da força por parte de Donald Trump na Groenlândia, uma região autônoma ligada à Dinamarca. Isso afetou ainda mais os laços entre os EUA e seus tradicionais aliados transatlânticos.
Como a China está lidando com essas dinâmicas na América Latina?
A China, por sua vez, vê esses eventos como um desafio à sua influência na América Latina e Caribe. Xi Jinping reafirmou o desejo de continuar sendo um parceiro estratégico para a região, oferecendo novas linhas de crédito e investimentos em infraestrutura.
"A China deseja se manter como uma boa amiga e parceira dos países latino-americanos", assegurou Xi a Lula.
A parceria estratégica moldada pelo Cinturão e Rota (BRI) da China em conjunto com projetos brasileiros em agricultura e energia renovável exemplifica esse compromisso de cooperação entre os países do Sul Global.
*Com informações da Reuters e da Xinhua
Com informações da Agência Brasil