Na última quinzena, a União Europeia (UE) deu grandes passos no cenário comercial global. Logo após um importante acordo com o Mercosul, a UE anunciou, na 16ª Cúpula Índia-UE, uma nova parceria com a Índia. A cerimônia ocorreu em Nova Delhi e contou com a presença do primeiro-ministro indiano, Shri Narendra Modi, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Esse movimento estratégico indica a busca por caminhos bilaterais frente ao protecionismo dos Estados Unidos que impacta as relações comerciais globais. Ursula von der Leyen descreveu o novo contrato como "a mãe de todos os acordos", ressaltando seu potencial de criar uma área de livre comércio que abrange 2 bilhões de pessoas, trazendo benefícios mútuos.
Por que a Índia é um parceiro estratégico para a UE?
A Índia se destaca como um mercado atrativo, não só por ser o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, mas por seu potencial de consumo, com 1,4 bilhão de habitantes. O objetivo da UE é dobrar suas vendas para a Índia até 2032, com 96% de suas exportações usufruindo de tarifas reduzidas. Em contrapartida, mais de 99% das exportações indianas para a UE terão entrada facilitada, beneficiando setores de trabalho intensivo como têxteis, joias e automóveis.
A UE e a Índia juntas representam significativas parcelas do PIB e comércio global, sendo responsáveis por um terço das transações comerciais mundiais, que somaram mais de 135 bilhões de dólares até março de 2025.
Como as tensões com os EUA influenciam a geopolítica atual?
A relação com os EUA está conturbada para ambos os lados do novo acordo. A guerra tarifária promovida pelo presidente Donald Trump impactou múltiplas áreas, incluindo a big tech e situações militares, como a questão Groenlândia. A Índia, por sua vez, enfrentou sobretaxas americanas como retaliação por compras de petróleo da Rússia, demonstrando os desafios geopolíticos enfrentados por ambos.
Além disso, o segundo mandato de Trump tem criticado o bloco dos Brics, do qual a Índia assume a presidência e sediará a cúpula de 2026.
Quais os desdobramentos do acordo UE-Mercosul?
Esse acordo, similar ao da Índia, é o resultado de longas negociações, desta vez durante 26 anos. A UE já havia feito parcerias bilaterais com México e Indonésia, e a zona de livre comércio prevista para o Mercosul envolve 720 milhões de pessoas, abrangendo produtos industriais e agrícolas.
Embora assinado, ainda espera ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A legislação ainda exige análise jurídica do Tribunal de Justiça da UE, o que pode atrasar sua implementação por até dois anos.
“Há um claro interesse em garantir que os benefícios desse importante acordo sejam aplicados o mais rápido possível”, destacou Ursula von der Leyen.
Em resumo, enquanto os ecos do protecionismo dos EUA continuam a ressoar, parcerias como as entre a UE, Índia e Mercosul sinalizam um novo capítulo no comércio global.
Com informações da Agência Brasil