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“Mãe de todos os acordos” aproxima União Europeia e Índia

Na última quinzena, a União Europeia (UE) deu grandes passos no cenário comercial global. Logo após um importante acordo com o Mercosul, a UE anunciou, na 16ª Cúpula Índia-UE, uma nova parceria com a Índia. A cerimônia ocorreu em Nova Delhi e contou com a

31/01/2026

31/01/2026

Na última quinzena, a União Europeia (UE) deu grandes passos no cenário comercial global. Logo após um importante acordo com o Mercosul, a UE anunciou, na 16ª Cúpula Índia-UE, uma nova parceria com a Índia. A cerimônia ocorreu em Nova Delhi e contou com a presença do primeiro-ministro indiano, Shri Narendra Modi, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Esse movimento estratégico indica a busca por caminhos bilaterais frente ao protecionismo dos Estados Unidos que impacta as relações comerciais globais. Ursula von der Leyen descreveu o novo contrato como "a mãe de todos os acordos", ressaltando seu potencial de criar uma área de livre comércio que abrange 2 bilhões de pessoas, trazendo benefícios mútuos.

Por que a Índia é um parceiro estratégico para a UE?

A Índia se destaca como um mercado atrativo, não só por ser o quarto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, mas por seu potencial de consumo, com 1,4 bilhão de habitantes. O objetivo da UE é dobrar suas vendas para a Índia até 2032, com 96% de suas exportações usufruindo de tarifas reduzidas. Em contrapartida, mais de 99% das exportações indianas para a UE terão entrada facilitada, beneficiando setores de trabalho intensivo como têxteis, joias e automóveis.

A UE e a Índia juntas representam significativas parcelas do PIB e comércio global, sendo responsáveis por um terço das transações comerciais mundiais, que somaram mais de 135 bilhões de dólares até março de 2025.

“Mãe de todos os acordos” aproxima União Europeia e Índia

Como as tensões com os EUA influenciam a geopolítica atual?

A relação com os EUA está conturbada para ambos os lados do novo acordo. A guerra tarifária promovida pelo presidente Donald Trump impactou múltiplas áreas, incluindo a big tech e situações militares, como a questão Groenlândia. A Índia, por sua vez, enfrentou sobretaxas americanas como retaliação por compras de petróleo da Rússia, demonstrando os desafios geopolíticos enfrentados por ambos.

Além disso, o segundo mandato de Trump tem criticado o bloco dos Brics, do qual a Índia assume a presidência e sediará a cúpula de 2026.

Quais os desdobramentos do acordo UE-Mercosul?

Esse acordo, similar ao da Índia, é o resultado de longas negociações, desta vez durante 26 anos. A UE já havia feito parcerias bilaterais com México e Indonésia, e a zona de livre comércio prevista para o Mercosul envolve 720 milhões de pessoas, abrangendo produtos industriais e agrícolas.

Embora assinado, ainda espera ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A legislação ainda exige análise jurídica do Tribunal de Justiça da UE, o que pode atrasar sua implementação por até dois anos.

“Há um claro interesse em garantir que os benefícios desse importante acordo sejam aplicados o mais rápido possível”, destacou Ursula von der Leyen.

Em resumo, enquanto os ecos do protecionismo dos EUA continuam a ressoar, parcerias como as entre a UE, Índia e Mercosul sinalizam um novo capítulo no comércio global.



Com informações da Agência Brasil

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