Na última quinta-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, se encontraram em Brasília para discutir um tema que é crucial para o futuro global: a energia nuclear. Os dois líderes, representando seus países nos Brics, defendem o uso de energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. Esse foi um dos principais tópicos de conversas durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia realizado no Itamaraty.
Por que isso é importante? A energia nuclear oferece uma fonte poderosa de eletricidade com baixas emissões de carbono e desempenha um papel fundamental na medicina nuclear, através de radioisótopos medicinais. Desta forma, tanto Brasil quanto Rússia manifestaram interesse em ampliar iniciativas em conjunto nessa área para atender o setor de saúde.
O que a parceria Brasil e Rússia busca alcançar?
No evento, além do uso pacífico da energia nuclear, o Brasil e a Rússia enfatizaram projetos conjuntos como a geração de energia nuclear e o ciclo de combustível nuclear. Estas parcerias pretendem também modernizar a base jurídica da cooperação entre as duas nações. Os investimentos ainda englobarão setores como a indústria farmacêutica, construção naval, tecnologias digitais e segurança cibernética.
Como o multilateralismo se encaixa nessa aliança?
O multilateralismo foi um tema forte discutido durante o encontro, com críticas ao uso de "medidas coercitivas unilaterais", ações vistas como ilegais à luz do direito internacional. Sem direcionar diretamente a críticas a qualquer nação, Brasil e Rússia destacaram que tais ações ferem os direitos humanos e prejudicam o desenvolvimento sustentável dos países atingidos.
Recentemente, o Tratado New Start, um acordo nuclear entre EUA e Rússia, chegou ao fim, o que torna as questões de multilateralismo e cooperação ainda mais urgentes.
Quais são as oportunidades para a agricultura?
Um aspecto amplo da parceria inclui o setor agrícola. Alckmin e Mishustin destacaram o papel central de ambos os países na segurança alimentar global. O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, enquanto a Rússia fornece insumos estratégicos para a agricultura. A intenção é expandir a cooperação também nesse campo, aumentando o comércio e transferência tecnológica.
“O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. A Rússia, por sua vez, é ator de primeira ordem no fornecimento de insumos estratégicos para a agricultura”, ressaltou Alckmin.
O que prevê o futuro comercial entre os países?
Para 2025, o fluxo comercial entre os países chegou a US$ 11 bilhões, com maior volume de importações para o Brasil. Contudo, ainda houve concentração em produtos primários e baixa diversificação. A ideia é fortalecer parcerias em áreas como tecnologia, energia e saúde para impulsionar os produtos industrializados.
“O governo brasileiro está comprometido em oferecer previsibilidade, segurança jurídica e ambiente favorável aos negócios”, assegurou Alckmin.
Quais são as perspectivas para transferência de tecnologia?
Mishustin destacou que ambos os países veem boas perspectivas para a cooperação na área farmacêutica. Ele mencionou a criação de condições favoráveis para produtos inovadores russos no mercado brasileiro, especialmente para oncologia e diabetes. Além disso, a colaboração em áreas como cibersegurança e inteligência artificial poderá garantir avanços significativos sob a perspectiva da soberania digital.
Essas discussões são um reflexo de uma parceria mais intensa entre países que buscam cooperação em prol de impactos concretos nas duas nações, sempre considerando os padrões globais e contrarregras com a atual geopolítica mundial.
Com informações da Agência Brasil