O Conselho Presidencial de Transição do Haiti (CPT) encerrou, no sábado (7), seu mandato de dois anos, num contexto tenso de ameaças internacionais e desafios internos. Com uma cerimônia marcante em Porto Príncipe, este encerramento ocorre após pressões dos Estados Unidos para que o poder fosse mantido com o gabinete do primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. Mas o que tudo isso significa para o futuro do Haiti e sua já frágil estabilidade política?
Como o Haiti chega ao fim do mandato do CPT?
O encerramento do mandato do CPT não criou um vazio de poder, conforme destacou Laurent Saint-Cyr, presidente do Conselho. "Ao contrário, o Conselho dos Ministros, sob a direção do primeiro-ministro [Didier Fils-Aimé], vai garantir a continuidade. A palavra de ordem é clara: segurança, diálogo político, eleições e estabilidade", afirmou Saint-Cyr durante a cerimônia.
Desde 2016, o Haiti não realiza eleições, o que levou à formação do CPT, com seus nove conselheiros de diversos setores sociais, encarregados de preparar o caminho para eleições. A renúncia do primeiro-ministro Ariel Henry e o assassinato do presidente Jovenel Moïse foram eventos que impulsionaram essa transição autorizada pelo CPT em abril de 2024.
Qual foi o papel dos EUA neste cenário?
Nos dias que antecederam o fim do mandato do CPT, surgiu uma intenção de destituir o primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé. Este fato não passou despercebido pelo governo de Donald Trump, que reagiu mobilizando sua frota naval como medida de prevenção a qualquer tentativa de reconfiguração do governo haitiano.
“Sob a direção do Secretário de Guerra, o USS Stockdale, USCGC Stone e USCGC Diligence chegaram a Porto Príncipe como parte da Operação Lança do Sul. A presença deles reflete o compromisso inabalável dos EUA com a segurança, a estabilidade e um futuro melhor para o Haiti”, declarou a embaixada dos EUA no Haiti.
Por que não houve consenso sobre um novo presidente?
Enquanto o CPT pretendia apoiar mudanças estratégicas, a dificuldade em nomear um novo presidente revelou as fissuras políticas internas do Haiti. Discute-se a importância de eleger um presidente que trabalhe em conjunto com o primeiro-ministro, mas nenhum consenso foi alcançado ainda.
Como as forças de segurança têm atuado no Haiti?
Dentre as medidas anunciadas para restabelecer a segurança, destaca-se o acordo com a missão internacional de policiais liderados pelo Quênia, que visa apoiar a Polícia Nacional do Haiti. Em 2024, a ONU também aprovou a criação da Força Multinacional de Repressão a Gangues para ajudar a enfrentar a ocupação territorial por gangues armadas.
*Com colaboração da jornalista Thaís de Luna
Com informações da Agência Brasil